Mostrando postagens com marcador climatologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador climatologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de junho de 2013

Especial on-line desastres naturais - Terremotos, furacões, tsunamis e outros fenômenos

Com informações do Blog de Geografia

O infográfico "Especial on-line desastres naturais - Veja.com" analisa grandes fenômenos da natureza (terremotos, furacões e tsunamis) e também outros fenômenos(vulcões, enchentes, secas, ondas de calor, nevascas e avalanches). Tem ainda o "Contexto" que vale a pena ler. Entre outras coisas "todas as pessoas que vivem hoje descendem de sobreviventes das grandes catástrofes naturais, que deixaram marcas na história humana". Para acessar o infográfico "Especial on-line desastres naturais - Veja.com" você pode seguir o link aqui ou acessar a imagem.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Climakids: Turma da Mônica ensina Meteorologia para crianças

A previsão do tempo ficou mais divertida com a Turma da Mônica
Climakids é voltado ao público infantil .O projeto foi desenvolvido pela Climatempo e a Maurício  de Souza Produções.

Você seleciona a sua cidade e descobre qual é a previsão para o clima dos próximos dias (Imagem: Reprodução CHC)

Segue abaixo parte da matéria do Net Educação sobre o Climakids;

O site tem vários canais diferentes: Previsão do Tempo, Jogos, Fenômenos Climáticos, Quadrinhos e Experiências. A ideia é falar de temperatura de uma maneira divertida e interativa, com uma linguagem apropriada.

"É importante a criança estar informada sobre o tempo. Não só para programar seus passeios mas também para entenderem melhor a natureza e de como podemos conviver sem agredi-la. Mas quem está mais feliz com essa parceria é o Cascão. Preciso dizer o porque?", observou Mauricio de  Sousa, rindo.
Clima Kids da turma da Mônica - Imagem: Reprodução Planeta Sustentável
No canal Previsão do Tempo, os pequenos internautas descobrem como fica o tempo na sua cidade, no Brasil, no Mundo, e poderão definir quais são as suas cidades favoritas. No canal de Jogos, a criança se diverte com games educativos sobre o clima. Fenômenos Climáticos é o espaço do experimento, no qual a Turma da Mônica aparece em tiras desenhadas exclusivamente para o site, como se formam as chuvas, nuvens, furacões, raios, neve, arco-íris e outros fenômenos meteorológicos.

O canal Quadrinhos traz uma coletânea de tirinhas em que os personagens da Turma da Mônica vivem momentos divertidos ligados aos fenômenos climáticos e ao tema previsão do tempo. Já o espaço Experiências funciona como uma espécie de simulador científico. De forma segura e simples, as crianças aprendem sobre os fenômenos climáticos realizando experiências.  

Assista a entrevista abaixo com o Maurício de Souza e  não deixe de acessar a página: www.climakids.com.br
O Climakids já foi assunto de vários sites importantes, confira os links e saiba mais: 

Chuva ou Sol? Revista CHC - Ciência Hoje das Crianças
Planeta Sustentável* - Turma da Mônica ensina Meteorologia para crianças
A previsão do tempo ficou mais divertida com a Turma da Mônica e a Climantempo - Portal da Turma da Mônica
Turma da Mônica ensina sobre previsão do tempo em novo site - Net Educação
Site de previsão do tempo para crianças - Diarinho -Diário do Nordeste
Site da Turma da Mônica ensina previsão do tempo para crianças - Estadão

domingo, 5 de maio de 2013

Unesp lança livros digitais gratuitos

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) vem lançando lvros virtuais gratuitos. Os títulos, provenientes de uma parceria entre a Editora da Unesp e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg), estão disponíveis no site da editora Cultura Acadêmica, vinculada à instituição. 

Entre os títulos estão textos sobre história, letras, educação, psicologia, comunicação, música, geografia e urbanismo, teatro, política e ciências sociais, economia, arquitetura, filosofia, matemática e artes. É necessário fazer um cadastro para ter acesso às obras. Acesse as obras referentes a Geografia, listadas a seguir. Vamos aproveitar e fazer circular o conhecimento para ampliarmos o campo de discussão e desenvolvimento e reconstrução dos argumentos e ideias geográficas. 


















http://www.culturaacademica.com.br/_img/arquivos/%7B2D6C6E2C-9C10-4483-920C-E5DE4E2A7991%7D_As%20chuvas_e_massas_de_ar-NOVA%20P4.pdf

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mudanças Climáticas


   No decorrer da vida escolar, aprendemos que o Planeta Terra sempre passou por mudanças climáticas e que diferentes fenômenos  naturais provocam alterações climáticas em diversas escalas temporais. Tornou-se de nosso conhecimento que  o planeta atravessou  vários períodos glaciais, que em anos de ocorrência de El niño, a dinâmica das massas de ar é alterada, ocorrendo enchentes em alguns lugares e em outros uma diminuição severa  no  percentual de chuvas e que erupções vulcânicas também chegam a interferir no clima.
   Assim como há quem defenda que as mudanças Climáticas são resultantes de ações antrópicas intensificadas com a Revolução Industrial, há quem se posicione ao contrário e alegue que   as mesmas são  apenas processos naturais. Porém, a primeira posição  é aparentemente,  mais repercutida que a segunda. Pois se incutiu nas pessoas a ideia de que as mudanças que ocorrem no clima a nível global trata-se de uma anomalia  e que o maior vilão desta é o ser humano. Essa ideia serve  muitas vezes, como uma espécie de barreira entre uma maior reflexão sobre o tema. Automaticamente aceitamos e  absorvemos  a ideia que  a mídia,superficialmente , com  seus meios de comunicação em massa nos transmite na maioria das vezes, sem o mínimo de criticidade, sem pararmos para pensar em que ela se baseia.
   Dizer que o homem está causando mudanças  climáticas globais pode ser uma  afirmativa  precipitada requerendo mais estudos, porém  a discussão do tema hoje pode ser um passo para as  pesquisas das próximas  gerações  e uma alerta que propicie o desenvolvimento de uma maior  consciência e criticidade à respeito do modo como está sendo consolidada a nítida e acelerada expansão da humanidade sobre o planeta.
   Não cabe aqui, julgar a validade das informações que a mídia nos transmite e muito menos a sua confiabilidade. Mas sim levantar um questionamento: Sabe-se que a existência do homem no planeta é relativamente recente quando analisada levando em conta a escala cronológica, portanto, será certo atribuir às ações antrópicas total responsabilidade sobre as mudanças que vem sendo notadas no Clima nos últimos anos? Seriam essas mais modificadoras que os fenômenos de ordem natural que exercem controle sobre o clima? Teria sido a humanidade capaz de modificações tão intensas como são retratadas? E o que dizer das mudanças que ocorreram no Clima antes do surgimento do homem como tal é hoje?
   A primeira coisa que nos vem  à cabeça quando mencionado  o tema mudanças climáticas é  o Aquecimento Global, embora alguns estudos apontem o fato de estarmos vivenciando uma Era interglacial, e que futuramente o Planeta sofrerá um resfriamento Global.
   Retomando à ideia alarmante de Aquecimento Global, alega-se que este é ocasionado pela intensificação do Efeito estufa que,  por sua vez ,é erroneamente tido como um fenômeno negativo quando sem o mesmo a vida na Terra seria impossível ,pois ele atua como uma espécie de controle natural  para com a radiação que entra e a que sai do planeta  mantendo-o sempre aquecido e  propiciando  a condição da existência dessa variedade de formas de vida aqui existentes e como tal conhecemos .
   Segundo Luiz Carlos Molion, autor do artigo: AQUECIMENTO GLOBAL: UMA VISÃO CRÍTICA  , publicado pela revista Brasileira  de Climatologia em 2008, o período que vai do final do século XIX às primeiras décadas do século XX marca  o final da “Pequena Era Glacial”, que foi um período frio , durou  quinhentos anos  e que coincide com  a época em que os termômetros começaram à ser instalados no mundo. Se levarmos em conta esse fato percebemos que o clima atual está muito mais aquecido e se ainda, tomarmos aquelas temperaturas (iniciais) como referência e classificarmos nas como normais , certamente concluiremos que esse aquecimento é anormal.
   Ainda no mesmo artigo, ele reforça que o clima envolve tanto controladores internos quanto externos e que em outras épocas o mesmo sofreu aquecimentos que não resultaram da intensificação do Efeito estufa.
Dentre as apontadas causas sobre mudanças climáticas encontram-se as  terrestres (migração polar e deriva continental, mudanças na topografia, mudanças na distribuição das superfícies continentais e hídricas ,variações na cobertura de neve e de gelo), Astronômicas  (mudanças na excentricidade da órbita da Terra ,mudanças na precessão dos equinócios , mudanças na obliquidade do plano da elíptica) e  as Extraterrestres (Variações na quantidade de radiação solar -output solar e variações na absorção da radiação solar exterior à atmosfera terrestre).
   O assunto neste texto retratado merece, sem dúvidas uma grande  atenção, uma vez que o mundo tornou–se palco de  uma economia Industrial que cresce aceleradamente a fim de atender à demanda cada vez maior do consumo que se estabeleceu no mundo.

sábado, 11 de agosto de 2012

Entrevista como Prof. Hugo Romero.

O BIOCLIMA gostaria de divulgar que na pasta, conversando sobre climatologia, a entrevista como Prof. Hugo Romero (Universidad de Chile) foi postada.
Boa Leitura.


domingo, 29 de abril de 2012

Clima e Sítio

Tem-se com o presente texto o objetivo de divulgar a pesquisa que vem sendo realizada junto ao Laboratório de Biogeografia e Climatologia – BIOCLIMA UFV sobre clima e sítio urbano, assim como fomentar discussões sobre o assunto e criar um espaço de diálogo onde possam ser propostas diversas sugestões acerca do assunto.

A pesquisa encontra-se em desenvolvimento e teve seu início no ano de 2010, a partir do projeto intitulado “A importância do sítio no caráter climático nas cidades localizadas na Zona da Mata Mineira”, coordenado pelo Prof. Dr. Edson Soares Fialho e registrado no CNPq. Busca-se com esse projeto compreender e avaliar a influência do sítio urbano na configuração do clima de cidades de pequeno e médio porte, atentando-se para os fatores climáticos locais e do entorno próximo.

As cidades em estudo são Ponte Nova, Teixeiras, Viçosa, Visconde do Rio Branco e Ubá (Figura 1). Embora estejam localizadas em um mesmo Domínio Morfoclimático, o de Mares de Morros Florestados (AB’SÁBER, 2003), caracterizado por vales estreitos e elevações em forma de “meia laranja”, possuem sítios urbanos com características específicas. Apresentam cotas altimétricas distintas e peculiaridades quanto ao relevo circundante.

Localização da área de estudo.

Para atingir os objetivos propostos são realizados trabalhos de campo em diferentes estações do ano. Em cada cidade foram escolhidos três pontos de medições afastados do centro urbano, o primeiro situa-se no fundo do vale, o segundo na média encosta e o terceiro próximo ao topo da vertente. As medições dos parâmetros climáticos (temperatura, umidade, luminosidade, nebulosidade, vento) ocorrem simultaneamente nas cinco cidades nos horários de 9, 12, 15, 18 e 21 horas. Para isso, conta-se com a participação dos integrantes do BIOCLIMA-UFV.


Após a coleta dos dados em campo e a aferição dos mesmos, são confeccionados transetos utilizando-se do software Surfer for Windows® v. 10, para melhor representar o comportamento das variáveis climáticas ao longo dos horários de mensuração, bem como as alterações existentes ao longo do perfil Ponte Nova - Ubá. Abaixo encontra-se um exemplo dos transetos que são elaborados (Figura 2). 


Transeto de Variação de Temperatura do ar ao longo do perfil  Ubá-Ponte Nova, na Zona da Mata Mineira

Os resultados preliminares indicam haver influência das características e localização do sítio no comportamento dos elementos do clima. Por exemplo, no que diz respeito à temperatura do ar, as cidades de Teixeiras e Viçosa, localizadas no planalto, têm apresentado temperaturas inferiores as registradas em Visconde do Rio Branco e Ubá, localizadas na planície. Já Ponte Nova, vem apresentando temperaturas intermediárias, ou seja, inferiores as de Visconde do Rio Branco e Ubá e superiores as de Teixeiras e Viçosa – ver Fialho et al. (2011) e Alves et al (2011). Em situações de instabilidade atmosférica, as tendências observadas se alteram como já observado em medições feitas em agosto de 2011.

Sabe-se que na troposfera a temperatura decresce com o aumento da altitude, numa taxa aproximada de 0,6 °C para cada 100 metros, considerando o gradiente adiabático para o ar úmido (FRITZSONS, et al., 2008).

As análises realizadas até o presente momento indicam que apenas a variação altimétrica não justifica as diferenças existentes no comportamento dos elementos do clima na área em estudo. Afinal, o desnível altimétrico do planalto de Viçosa para a planície de Ubá, de aproximadamente 300 metros, não proporciona, por exemplo, diferenças de temperatura de aproximadamente 10 °C entre essas localidades (FIALHO et al. 2011).

Atualmente a hipótese colocada é que as maiores temperaturas, as menores taxas de umidade relativa do ar, os ventos de menor intensidade, etc, observados em Visconde do Rio Branco e Ubá, quando comparado principalmente a Viçosa e Teixeiras, sejam provocados pela conformação do sítio urbano e pela configuração do relevo circundante a tais cidades.

Ubá e Visconde do Rio Branco encontram-se envolvidas por um conjunto de serras formadas pela reentrância do complexo da Mantiqueira nessa localidade, de origem tectônica. Dessa forma, ambas as cidades situam-se no chamado “Golfão de Ubá” (ANDRADE, 1961), que proporciona a área uma formação de relevo semelhante a uma ferradura quando observado do alto da escarpa de São Geraldo.

Para melhor compreender a relação entre clima e sítio ao longo do perfil Ponte Nova – Ubá novas mensurações vem sendo realizadas, a fim de coletar dados que possibilitem analisar com maior propriedade a influência dos fatores geográficos nas particularidades climáticas dos municípios, assim como discutir a hipótese levantada. Ressalta-se aqui as dificuldades de encontrar na literatura disponível trabalhos em Geografia desse caráter, que possam contribuir para o desenvolvimento teórico-metodológico da pesquisa e sirvam de parâmetro aos resultados previamente encontrados.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

AB’SÁBER, A. N. Os Domínios De Natureza No Brasil: Potencialidades Paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editora, 2003.

ALVES, R. S.; SOUZA, P. O.; FIALHO, E. S. A influência do sítio urbano no comportamento dos atributos climáticos de cinco cidades da zona da mata mineira norte: uma análise comparativa. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA. 14, 2011. Dourados, MS, Anais..., Dourados, MS, 2011, cd-rom.

ANDRADE, M. C. Aspectos Geográficos da Região de Ubá. Anais da Associação dos Geógrafos Brasileiros, São Paulo, Avulso n. 1, 1961.

FIALHO, E. S.; ALVES, R. S.; LOPES, D. I. Clima e sítio na Zona da Mata Mineira: uma análise em episódios de verão. Revista Brasileira de Climatologia, ano 7, v. 8, p. 118-136, jan./jul. 2011.

FRITZSONS, E.; MANTOVANI, L. E.; AGUIAR, A. V. Relação entre altitude e temperatura: Uma contribuição ao zoneamento climático no estado do Paraná. Revista de Estudos Ambientais, Blumenau, v. 10, n. 1, p. 49-64, 2008. Disponível em: http://proxy.furb.br/ojs/index.php/rea/article/view/902/681. Acesso em 21 Dez. 2011.


Texto produzido por: ALVES, Rafael de Souza. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Bolsista PIBIC/CNPq. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia – Bioclima UFV. E-mail rafael.s.alves@ufv.br.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

O CONCEITO DE BIOMA E IMPLICAÇÕES BIOGEOGRÁFICAS DECORRENTES DAS QUEIMADAS


Na semana passada discutimos sobre a relação entre umidade do ar e práticas de queimadas, onde enfatizamos a maior incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra durante os meses de inverno e a maior evapotranspiração dos vegetais. Hoje, como já indicado no título da postagem, iremos discorrer sobre o conceito de bioma e a ocorrência de queimadas nestas áreas.
O conceito de bioma veio ao longo dos tempos passando por certas transformações e variando em determinados pontos de acordo com cada autor. A primeira definição de bioma levava em consideração apenas o clima e a vegetação de uma área geográfica qualquer como sendo os únicos responsáveis pelas características de um determinado bioma. Já a segunda definição de bioma pautava-se no clima, na vegetação e na fauna de uma dada região. Por fim, a terceira definição de bioma referente-se a Walter, que leva em consideração além do clima e da vegetação, a influência do solo e da altitude como fatores que podem interferir nas características fitofisionômicas de uma paisagem.
Segundo COUTINHO1, o conceito de bioma desenvolvido por Walter é um dos mais modernos e aborda uma perspectiva ecológica e prática. Em seu conceito, Walter utiliza palavras como zonobiomas, eubiomas, orobiomas e pedobiomas, de modo à melhor analisar as especificidades existentes dentro dos próprios biomas.
Os diferentes conceitos de bioma é ainda hoje uma das questões discutidas nos cursos de Biogeografia, afinal, cada um deles possui suas particularidades e ampliam o arcabouço teórico deste ramo do saber.
Embora, segundo SILVA (2006), grande parte das queimadas e suas implicações à saúde humana ocorram em áreas urbanas, faz-se necessário atentarmos também às práticas de queimadas desenvolvidas em biomas, principalmente naqueles já amplamente devastados pela ação antrópica como a Mata Atlântica. Muitas das vezes, os incêndios causam perturbações e fragmentações que podem demandar longos anos até que a área afetada se regenere e retorne ao seu equilíbrio, o que significa uma baixa resiliência do ambiente pertubado.
As queimadas realizadas em biomas que possuem fitofisionomias de grande porte e elevada densidade (por exemplo, a floresta Amazônica e a Mata Atlântica), intensificam o chamado efeito de borda. Este é derivado da entrada de luminosidade no interior das matas e biomas, podendo ocasionar alterações na umidade da área afetada e, conseqüentemente, modificações no ecossistema. A abertura de fragmentos, cuja gênese não se restringe somente a práticas de queimadas, segundo VIANA (1998, p 26), “(...) introduz uma série de novos fatores na história evolutiva de populações naturais de plantas e animais. Essas mudanças afetam de forma diferenciada os parâmetros demográficos de mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a estrutura e dinâmica de ecossistemas.”
Curiosamente, no bioma cerrado (denominado também como “Savana brasileira”) a propagação de queimadas é um fator natural a este ecossistema. A vegetação de cerrado – do tipo xerófila – desenvolve-se em um ambiente de relativa escassez de água, sobre solos pobres quimicamente, rasos e com presença de fogo em determinadas épocas do ano. Geralmente o clima em ambientes de cerrado se caracteriza por duas estações bem definidas no decorrer do ano, uma chuvosa e a outra seca, sendo nesta última a mais favorável a ocorrência de incêndios.
No entanto, mesmo sobre um ambiente sensível, o cerrado é um bioma de significativa biodiversidade. Possui espécies de flora e fauna endêmicas que estão tornando-se cada vez mais parcos devido à degradação do bioma.


Texto produzido por: ALVES, Rafael de Souza. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia – UFV. rafael.s.alves@ufv.br


Referências bibliográficas.
BROWN & LIMOLINO. Biogeografia. 2. ed. Ribeirão Preto, SP. Funpec Editora, 2006.
COUTINHO, Leopoldo Magno. O conceito de bioma. Acta bot. 20(1): 1-11. 2006. Versão eletrônica do artigo em WWW.scielo.br/abb.
CUNHA, Hélida Ferreira da. FERREIRA, Anamaria Achtschin. Composição e fragmentação do Cerrado em Goiás usando Sistema de Informação Geográfica (SIG). Boletim Goiano de Geografia. v 27. n 2. 139-152. 2007.

SILVA, Alexandra Souza da. Prática de queimadas e as implicações sociais e ambientais na cidade de Araguaina-TO. Caminhos de Geografia 7 (18) 8 – 16, jun/2006.
VIANA, Virgílio M. PINHEIRO, Leandro, A.F.V. Conservação da biodiversidade em fragmentos florestais. Série Técnica IPEF. v 12. n 32. p 25-42. dezembro 1998.



1COUTINHO, Leopoldo Magno. “O conceito de bioma”. Disponível em: www.scielo.br/abb.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Conversando sobre Climatologia com Eberval Marchioro (UFES)


BIOCLIMA: Prof. Eberval, embora seja um cidadão capixaba, acredito que deva conhecer outras regiões do Estado do Espírito Santo. E como no nosso blog temos leitores de diversas partes do Brasil, gostaria que pudesse explicar as diferenciações climáticas que se apresentam no Espírito Santo.

O estado do Espírito Santo possui uma diversidade climática decorrentes da orografia (altitude, forma e orientação das encostas), da maritimidade/continentalidade entre outros, assim como da dinâmica atmosférica. Assim, de maneira geral, no centrosul do Espírito Santo, onde encontra-se a presença da Serra da Mantiqueira próxima ao litoral, na porção a barlavento, são registrados os maiores totais mensais e anuais acumulados de precipitação em relação ao norte e noroeste do referido Estado. Em termos térmicos, a orografia ocasiona menores temperaturas na região denominada de Serrana, em relação ao restante do Estado. Já na região norte do Estado do Espírito Santo, onde a orografia está mais afastada do litoral, a latitude associada à continentalidade ocasiona temperatura mais elevadas ao longo de todo o ano, que associada aos menores valores pluviométricos propicia baixa disponibilidade hídrica, criando uma região de deficiência hídrica.

No mapa abaixo pode ser visto os Domínios Climáticos do estado do Espírito Santo, de acordo com o instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

BIOCLIMA: Os eventos pluviais intensos que freqüentemente assolam os estados do centro-sul do Brasil, provocando muitos danos nas áreas urbanas. Porém, pouco se registra no noticiário nacional os problemas que o Estado do Espírito Santo associado as chuvas. Nesse sentido, pode-se dizer que o Estado do Espírito Santo está mais bem preparado para atuar frente aos eventos pluviais intensos?

Não acredito. Apesar de não participar diretamente desse contexto de prevenção de desastres naturais associado a defesa civil estadual e municipais, observei ao longo dos últimos anos uma tendência da implementação desses órgãos visando minimizar desastres naturais. Em alguns municípios capixabas a defesa civil ainda encontra-se em fase prematura de desenvolvimentos de trabalhos e/ou incipiente em ações preditivas. Diante disto, por estar localizado em uma região de transição, onde coadunam características físicas do relevo e a intensificação da ação antrópica, verifica-se o aumento da ocorrência de inundações e movimentos de massa de média a baixa magnitude, quando comparado, por exemplo, ao Rio de Janeiro e São Paulo.

Visando contribuir com a minimização dos desastres naturais no Espírito Santo, no Departamento de Geografia da UFES, foi criado do Centro de Prevenção de Desastres Naturais do Espírito Santo (CEPEDES), que por meio de mapeamentos e modelagem hidrossedimentológica, tem o intuito de minimizar os efeitos dos desastres naturais, contribuindo para a gestão e planejamento ambiental dos municípios capixabas.

BIOCLIMA: De acordo com o seu estudo desenvolvido para o noroeste fluminense, que procurou analisar a aplicabilidade do código florestal brasileiro como o subsídio ao planejamento ambiental. Pode-se que a possível aprovação da nova proposta do código florestal, que se encontra no Senado brasileiro irá acarretar quais prejuízos ao planejamento ambiental?

Inicialmente, no estudo no noroeste fluminense, levando-se em consideração o uso e ocupação da terra atual, foi verificado que as áreas com maior declividade associada a outras características físicas e do solo da bacia do córrego Santa Maria, mostraram-se mais susceptíveis a erosão dos solos, aumentando a contribuição de sedimentos para o canal fluvial. Com a simulação de um cenário ambiental por meio da modelagem matemática levando em consideração as áreas de APP estabelecida no artigo 2º pelo Código Florestal Brasileiro (CFB) em vigência, verificou-se uma redução nas áreas fontes de produção de sedimentos, bem como das áreas disponíveis para a agropecuária nos locais de maiores declividades e próximas ao canal fluvial mais dissecado. Considerando tais resultados, é possível afirmar que do ponto de vista da erosão dos solos nas encostas, com a entrada em vigência da nova proposta do Código florestal, ocorrerá um aumento das áreas fontes produção de sedimentos nas encostas, uma vez que serão utilizadas para agropecuária, na maioria das vezes sem práticas de manejo e conservação agrícola, contribuindo para o aumento de material particulado que atinge o canal fluvial.

Outra característica desta nova proposta será o aumento da disponibilização de áreas para diferentes finalidades, tais como a residencial, corroborando para uma maior susceptibilidade a erosão de solos, inundações e movimentos de massa, exigindo medidas que podem gerar custos maiores aos cofres públicos. Para tentar elaborar qualquer alteração no CFB em vigência, faz-se necessário um estudos que envolva os diversos seguimentos da sociedade civil e das universidades, institutos etc.. capaz de estabelecer critérios para estimar uma área mínima de APP (podendo ser por regiões geográficas que considerem as características do uso e ocupação da terra, do relevo etc..) que não potencialize os desastres naturais.

BIOCLIMA: O processo erosivo muitas vezes se encontra associado a dinâmica das chuvas, porém, em algumas regiões o desenvolvimento desses processos erosivos desencadeia a formação de voçorocas imensas. Neste caso a questão das chuvas seria ainda um fator de maior relevância, como por exemplo, em Gouvia-MG?

Apesar de estar algum tempo afastado das pesquisas desenvolvidas no Município de Gouveia em Minas Gerais, no meio tropical quente e úmido, o principal agente desnudador do relevo terrestre é a ação das águas pluviais em áreas com atividade tectônica sem relevancia, tal como Gouveia. No caso de Gouveia, outros elementos da paisagem como o piping (feição subsuperficial), as mudanças no uso e ocupação da terra, características físicas do solo e das encostas, contribuem para intensificação da ação pluvial para a desnudação do relevo ao longo do tempo, bem como para a formação de voçorocas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Reflexões acerca do texto : Variações da Temperatura do ar e o papel das áreas verdes nos estudos de clima urbano

O Prof. Dr. Carlos Henrique Jardim, autor do texto em cena, busca não somente apresentar o significado da existência de áreas verdes nas cidades, mas também refletir sobre conceitos e paradigmas presentes no âmbito da climatologia urbana, de forma crítica, contundente e, sobretudo plausível.
Para isso o autor inicia seu trabalho com as seguintes palavras: “Um bom livro ou filme nem sempre é aquele que traz respostas às questões abordadas, mas aqueles que trazem questionamentos que levam as pessoas a pensar sobre determinados assuntos” (JARDIM, 2010, p. 9).
Muitos dos trabalhos de clima urbano consistem em identificar ilhas de calor nas cidades tomadas como objeto de estudo e verificar o quanto elas são mais quentes que o entorno imediato, como se apenas isso fosse o suficiente para afirmar a existência, ou não, do clima urbano. Como salienta Assis (2005) refletindo sobre os trabalhos de clima urbano e sua aplicabilidade, principalmente na área do planejamento urbano:

"Embora se reconheça atualmente a importância da climatologia urbana para o planejamento e a preservação da qualidade ambiental do meio urbano, sua aplicação às atividades de planejamento e projetos das cidades ainda é muito limitada, em parte devido à uma abordagem fragmentada e desintegrada entre os diversos campos do conhecimento envolvidos, em parte devido ao fato de que a grande maioria dos trabalhos nessa área, tanto no Brasil quanto no exterior, são descritivos e, portanto, seus resultados ficam restritos ao caso em estudo (ASSIS, 2005, p. 93).

Não pretendo aqui menosprezar os variados esforços desempenhados pelos companheiros que se aventuraram (e se aventuram) em “adentrar a cidade para tomar-lhe a temperatura”, como diz Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro logo no título de seu texto (MONTEIRO, 1990). Até mesmo porque sabemos das dificuldades em desenvolver pesquisas desse caráter e também da relevância das mesmas na compreensão da configuração climática das cidades. Busco aqui realizar provocações sobre questões de interesse da climatologia urbana e áreas afins, tal como Jardim (2010) realizou em seu trabalho, levando-nos à reflexão.
Para Jardim (2010) uma questão ainda não satisfatória nos trabalhos de clima urbano é o próprio conceito de “clima urbano”. Conforme Monteiro, citado por Jardim (2010), o clima urbano é [...] “um sistema que abrange o clima de um dado espaço terrestre e sua urbanização”. Já Barbirato et al. (2000), apoiando-se em Oke, dizem que: “ O clima urbano é uma modificação substancial de um clima local resultado das condições particulares do meio urbano, seja pela sua rugosidade, ocupação do solo, orientação, permeabilidade ou propriedades dos matérias constituintes, entre outros fatores (Oke, 1996)”.
Com base nessas definições e em inúmeras outras que poderiam ser aqui apresentadas, somos levados às seguintes indagações: Qualquer núcleo urbano que se diferencie climaticamente das áreas adjacentes possui um clima urbano? Uma pequena cidade localizada no fundo de um vale pode apresentar temperaturas diferentes de seu entorno, teria ela um clima urbano? O que estaria provocando essa diferença de temperatura, a urbanização ainda não consolidada ou a dinâmica de circulação do ar desencadeada pelo vale? Uma vez que nem sempre é possível eliminar o efeito da altitude para compreensão do campo térmico das cidades, principalmente em áreas de relevo fortemente dissecado, como mostrou Fialho (2009) em sua tese de doutorado sobre a cidade de Viçosa-MG.
Esse mesmo exercício de reflexão pode ser feito para o conceito de ilha de calor, uma vez que não se tem definido ao certo a partir de quantos graus de diferença de temperatura de uma área para outra é válida a utilização de tal conceito. Dessa forma, uma área que se diferencie em 1 °C de temperatura a mais que seu entorno poderia ser identificada como ilha de calor? A respeito das ilhas de calor e das diferenças de temperatura entre o campo e a cidade, Jardim levanta os seguintes questionamentos:

[...] "uma vez detectadas essas 'diferenças', o que há de se fazer? Estudar o clima urbano para compreender o clima urbano? Talvez fosse mais sensato estudar o clima urbano com a finalidade de compreender a sua influência na organização espacial de certos fenômenos, mesmo que for para chegar à conclusão de que o problema, quando existe, nem é tão relevante assim". (JARDIM, 2010, p. 18).

Muitas das vezes a ilha de calor é “vendida” como algo negativo, insalubre e até mesmo como a prova da existência do clima urbano. Seria mesmo a ilha de calor um fato negativo em todas as ocasiões e em todas as cidades do Brasil, dada a sua extensão latitudinal que propicia a existência de diferentes regiões climáticas?
Segundo Jardim (2010) a capacidade das cidades em modificar o clima é limitada, restringindo-se a determinados níveis escalares. Por isso, somente identificar a ilha de calor não é o suficiente para constatar se há de fato um clima urbano, é preciso também monitorar sua magnitude e escala de abrangência, assim como buscar verificar se a cidade exerce controle, ou influência significativa, sobre os elementos do clima.
A criação de áreas verdes no interior das cidades, independente da existência ou não de um clima urbano, é recomendada por diversos pesquisadores do assunto. Alguns dos benefícios das áreas verdes destacados no texto de Jardim (2010) são: (1) “Melhorar o clima, diminuir a poluição do ar, economizar energia”. (2) “Contribuir para a saúde física e mental e influir positivamente, por exemplo, na recuperação de pacientes pós-operatórios”. (3) “Redução da emissão de dióxidos de carbono”. (4) Propiciar a permanência de um maior número de organismos na cidade, por servir de refúgio e fonte de alimento para a fauna. (5) “Maior infiltração da água no solo e manutenção dos níveis do lençol freático”. (6) “Contenção de encostas”. (7) Formação de solo e etc.
Segundo Gomes e Soares citados no trabalho de Rocha e Fialho (2010), a vegetação nas áreas urbanas também agem no sentido de reduzir os níveis de ruídos, uma vez que servem de amortecedor aos barulhos emitidos por diferentes fontes, principalmente os automóveis. No entanto, não é somente a criação de parques, jardins e canteiros centrais com árvores que vão minimizar a degradação ambiental existente nas cidades - incluindo aquelas de pequeno e médio porte, que segundo Mendonça (2003), já contam com problemas ambientais preocupantes. Afinal, a ação benéfica das áreas verdes no interior da mancha urbana também se restringe a determinados níveis escalares.
Assim, as áreas verdes não podem ser tomadas como sendo a solução para muitos dos efeitos prejudiciais à saúde desencadeados no interior das cidades, sobretudo nas grandes metrópoles. Pois bem como afirma Jardim (2010, p. 23) [...] “não é a arborização de praças e ruas e a inclusão de detalhes nos edifícios que impedirão a invasão de uma massa de ar quente e seca ou o impacto pluvial concentrado. A cidade deveria ser pensada de forma a se integrar ao ambiente e não ao contrário”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, E. S. A abordagem do clima urbano e aplicações no planejamento da cidade: reflexões sobre uma trajetória. ENCAC – ELACAC 2005, Maceió, Alagoas, Brasil – 5 a 7 de outubro de 2005, p. 92 – 101.

FIALHO, E. S. Ilha de calor em cidade de pequeno porte: Caso de Viçosa, na Zona da Mata Mineira.. 248f. Tese (Doutorado em Geografia) – Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e Artes, Programa de Pós-graduação em Geografia Física da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2009.

JARDIM, C. H. Variações da temperatura do ar e o papel das áreas verdes nas pesquisas de climatologia urbana. Revista de Ciências Humanas, Viçosa, v. 10, n. 1, p. 9 – 25, jan./jun. 2010.

MENDONÇA, F. Clima e Planejamento Urbano em Londrina: proposição metodológica e de intervenção urbana a partir do estudo do campo termo-higrométrico. In: MONTEIRO, C. A. F.; MENDONÇA, F. (orgs). Clima Urbano. São Paulo: Contexto, 2003. p. 93-120.

MONTEIRO, C. A. F. Adentrar a cidade para tomar-lhe a temperatura. Geosul, ano V, n. 9, primeiro semestre de 1990.

ROCHA, V. M.; FIALHO, E. S. Uso da Terra e suas Implicações na Variação Termo-Higrométrico ao longo de um Transeto Campo-Cidade no Município de Viçosa-MG. Revista de Ciências Humanas, Viçosa, MG, v. 10, n. 1, p. 64-77, jan./jun. 2010.

SEZERINO, M. L.; MONTEIRO, C. A. F. O campo térmico na cidade de Florianópolis: primeiros experimentos. Geosul, ano V, n. 9, primeiro semestre de 1990.


Texto produzido por Rafael de Souza ALVES. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq 2010-2012. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia (BIOCLIMA – UFV). Contato: rafael.s.alves@ufv.br