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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Recife de coral 'ressuscita' na Austrália após mais de 10 anos

Recife Scott pode ter se recuperado com ajuda de peixes, diz estudo. Cobertura de corais passou de 9% para 44% em 12 anos.
Corais na barreira de recifes Scott, na Austráli (Foto: Divulgação/Charlie Veron/Instituto Australiano de Ciência Marinha)
Corais na barreira Scott, na Austrália (Foto: Divulgação/Charlie Veron/Instituto Australiano de Ciência Marinha)

        Cientistas constataram que um sistema de corais próximo ao litoral da Austrália "ressuscitou" na última década, após haver perdido de 70% a 90% de sua biodiversidade segundo medições realizadas em 1998.
       O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade James Cook e do Instituto Australiano de Ciência Marinha da Universidade Western Austrália, e foi divulgado nesta quinta-feira (4).
        O sistema de recifes Scott, situado no litoral da região oeste do país, foi atingido pelo branqueamento, uma "doença" de corais que ocorreu devido a mudanças climáticas, segundo o estudo. No entanto, nos últimos 12 anos, a cobertura dos corais na barreira passou de 9%, em 1998, para 44% em 2010, de acordo com os cientistas.
      A pesquisa, publicada nesta semana pela revista "Science", tem resultados surpreendentes porque os pesquisadores acreditavam que a recuperação do branqueamento dependia de larvas vindas de outros corais próximos. Mas o recife Scott está situado a cerca de 250 km de outros corais, em uma posição isolada.
    Os pesquisadores sugerem que peixes herbívoros, que continuaram abundantes no sistema Scott, carregaram em seus corpos algas microscópicas necessárias para o ressurgimento dos corais. "Estas condições podem ter providenciado um ambiente adequado, no qual corais jovens se estabeleceram e cresceram", dizem os cientistas em nota divulgada pela "Science".
       O estudo ressalta que a recuperação foi favorecida pela ausência de humanos na barreira de corais, que fica numa posição isolada. É possível que sistemas de recife se recuperem com recursos da natureza, especialmente quando os peixes são abundantes e as atividades humanas estão limitadas, apontam os cientistas.

Reprodução do G1, São Paulo, 05 de Abril de 2013.

sábado, 9 de março de 2013

Uma questão Biogeográfica


A Biogeografia é uma área de estudo que contempla tanto a Geografia quanto a Biologia, a qual múltiplos fatores se integram , deixando-a amplamente discutida e até certo ponto complexa, o que ocasionou mudanças em seu conceito no decorrer do tempo, devido a mudança na maneira de pensar de pesquisadores e estudiosos.
Entre várias definições do conceito de Biogeografia, acreditamos que seja melhor procurar o que mais irá adaptar-se a finalidade de seu trabalho, desta forma destacaremos a definição utilizada por Adler Guilherme Viadana no livro “BIOGEOGRAFIA: NATUREZA, PROPÓSITOS E TENDÊNCIAS”, onde ele aponta que: “A biogeografia é um ramo do conhecimento científico que se fundamenta de forma intrínseca com a distribuição , adaptação e explicação dos seres vivos, sejam estes vegetais ou animais nos mais diferentes lugares da superfície da terrestre.” e complementando-a com uma outra definição feita por TROPPMAR,1987  onde o autor conceitua biogeografia como “Estudo das interações, da organização e dos processos espaciais, dando ênfase aos seres vivos –vegetais e animais- que habitam o determinado local: o biótopo, onde constituem  geobiocenoses”.
O que iremos relatar e discutir se encaixa nas falas dos autores citados anteriormente, principalmente devido a questão de organização e processos espaciais tanto de animais – onde o homem está inserido – e vegetais. O tema veio a tona, após uma curiosidade que foi levantada dentro de um documentário feito pela National Geografic, sobre ataques de leões a populações localizadas no sul da Tanzânia , na África. Nele, o pesquisador expõe uma situação onde cerca de 140 ataques de leões ocorreram às margens do Rio Rufidi dentro de 1(um) ano, e já foram registradas  ao longo dos anos cerca de 600 mortes devido a ataques dos mesmos. Um número exorbitante em relação a qualquer outra área que tenha humanos e leões vivendo próximos. Após as pesquisas e investigações, o pesquisador acaba percebendo que os ataques aconteciam justamente nesta área, por ela ter uma alta concentração de “porcos selvagens” o que atraia  os leões para perto das tribos, porém a explicação para este fato, será de tudo “inusitada”.
Com os conhecimentos adquiridos em Geografia, logo podemos observar que o problema com os felinos, poderia ser devido à ocupação de um mesmo território, o que  acarreta conflitos. Pois, as tribos que habitam a localidade que são de origens muçulmanas e sobrevivem da agricultura, estas estão estabelecidas nas margens do Rio, devido a fertilidade que esses depósitos podem oferecer. Já os leões, poderiam também ocupar esta área por seu próprio extinto de criar um território devido a reprodução, comida e água disponível. Porém, este não era o fator preponderante da questão.
Outra hipótese que poderia ser levantada é devido a ocupação humana espalhar-se por grande parte do espaço. Com isso os animais poderiam estar se sentindo acuados e atacando os seres humanos. Entretanto está não seria a questão, pois  existe um outro mecanismo criado pelos homem, que irá contribuir para a harmonia do ambiente. Nesta área há uma grande Reserva Natural, onde os leões poderiam se estabelecer, e sobreviver perfeitamente devido a abundancias de presas.
Assim, algumas  análises que nós geógrafos usamos para tentar estabelecer  e encontrar  diferenças e posteriores soluções  , bem como o conhecimento das ligações  entre homem, animais “selvagens” e vegetação, ainda não foram capazes  de explicar o motivo do problema. Mas, um fator extremamente importante principalmente na Biogeografia   que ainda não havia sido mencionado e que poderá contribuir, é a chamada “visão holística” que nós precisamos ter para compreender as diversas relações existentes na natureza. Percebendo assim, que tudo acaba se integrando. O que amplia a nossa visão possibilitando compreender como o chamado “x” da questão foi resolvido. E o motivo pelo qual esta região da Tanzânia, possui tal conflito entre leões e homens, é devido principalmente a “CULTURA” existente na região.
A cultura é “responsável” pela grande quantidade de ataques na localidade, e a explicação não é nada complicada. Está região,  devido a grande  diversidade étnica africana , apresenta uma concentração elevada de tribos muçulmanas. Os muçulmanos por sua vez não apreciam a carne de porco, muitas vezes evitando até o contato com os animais , o que explica a elevada quantidade de porcos do mato na região , e ainda não tendo o homem como predador natural como ocorre na maioria das outras localidades. Neste local eles ainda encontram comida, principalmente devido a agricultura desenvolvida pelos camponeses locais, fazendo com que os animais se sintam protegidos. Entrando, é neste momento que os leões entram na história, devido a grande concentração de porcos, eles são atraídos pela fartura de presas, e acabam muitas vezes se deparando com pessoas que estão instaladas dentro das plantações em pequenas casas chamadas de “DUMBUS” , afim de espantar os porcos, e acidentalmente acabam encontrando leões no meio das plantações o que motiva os ataques.
Mostrando assim como os conhecimentos de Biogeografia são importantes para entender a integração existente  no ambiente. E que, qualquer modificação nas relações e no equilíbrio natural pode acarretar mudanças muitas vezes conflituosas, como a situação que foi descrita no documentário, e que poderão ocorrer em qualquer localidade em que homens, animais e plantas este estejam habitando simultaneamente.

documentário, de onde foi extraída a temática do texto , segue no link a baixo:
  
http://www.youtube.com/watch?v=m3LdyXFgJfk

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mudanças Climáticas


   No decorrer da vida escolar, aprendemos que o Planeta Terra sempre passou por mudanças climáticas e que diferentes fenômenos  naturais provocam alterações climáticas em diversas escalas temporais. Tornou-se de nosso conhecimento que  o planeta atravessou  vários períodos glaciais, que em anos de ocorrência de El niño, a dinâmica das massas de ar é alterada, ocorrendo enchentes em alguns lugares e em outros uma diminuição severa  no  percentual de chuvas e que erupções vulcânicas também chegam a interferir no clima.
   Assim como há quem defenda que as mudanças Climáticas são resultantes de ações antrópicas intensificadas com a Revolução Industrial, há quem se posicione ao contrário e alegue que   as mesmas são  apenas processos naturais. Porém, a primeira posição  é aparentemente,  mais repercutida que a segunda. Pois se incutiu nas pessoas a ideia de que as mudanças que ocorrem no clima a nível global trata-se de uma anomalia  e que o maior vilão desta é o ser humano. Essa ideia serve  muitas vezes, como uma espécie de barreira entre uma maior reflexão sobre o tema. Automaticamente aceitamos e  absorvemos  a ideia que  a mídia,superficialmente , com  seus meios de comunicação em massa nos transmite na maioria das vezes, sem o mínimo de criticidade, sem pararmos para pensar em que ela se baseia.
   Dizer que o homem está causando mudanças  climáticas globais pode ser uma  afirmativa  precipitada requerendo mais estudos, porém  a discussão do tema hoje pode ser um passo para as  pesquisas das próximas  gerações  e uma alerta que propicie o desenvolvimento de uma maior  consciência e criticidade à respeito do modo como está sendo consolidada a nítida e acelerada expansão da humanidade sobre o planeta.
   Não cabe aqui, julgar a validade das informações que a mídia nos transmite e muito menos a sua confiabilidade. Mas sim levantar um questionamento: Sabe-se que a existência do homem no planeta é relativamente recente quando analisada levando em conta a escala cronológica, portanto, será certo atribuir às ações antrópicas total responsabilidade sobre as mudanças que vem sendo notadas no Clima nos últimos anos? Seriam essas mais modificadoras que os fenômenos de ordem natural que exercem controle sobre o clima? Teria sido a humanidade capaz de modificações tão intensas como são retratadas? E o que dizer das mudanças que ocorreram no Clima antes do surgimento do homem como tal é hoje?
   A primeira coisa que nos vem  à cabeça quando mencionado  o tema mudanças climáticas é  o Aquecimento Global, embora alguns estudos apontem o fato de estarmos vivenciando uma Era interglacial, e que futuramente o Planeta sofrerá um resfriamento Global.
   Retomando à ideia alarmante de Aquecimento Global, alega-se que este é ocasionado pela intensificação do Efeito estufa que,  por sua vez ,é erroneamente tido como um fenômeno negativo quando sem o mesmo a vida na Terra seria impossível ,pois ele atua como uma espécie de controle natural  para com a radiação que entra e a que sai do planeta  mantendo-o sempre aquecido e  propiciando  a condição da existência dessa variedade de formas de vida aqui existentes e como tal conhecemos .
   Segundo Luiz Carlos Molion, autor do artigo: AQUECIMENTO GLOBAL: UMA VISÃO CRÍTICA  , publicado pela revista Brasileira  de Climatologia em 2008, o período que vai do final do século XIX às primeiras décadas do século XX marca  o final da “Pequena Era Glacial”, que foi um período frio , durou  quinhentos anos  e que coincide com  a época em que os termômetros começaram à ser instalados no mundo. Se levarmos em conta esse fato percebemos que o clima atual está muito mais aquecido e se ainda, tomarmos aquelas temperaturas (iniciais) como referência e classificarmos nas como normais , certamente concluiremos que esse aquecimento é anormal.
   Ainda no mesmo artigo, ele reforça que o clima envolve tanto controladores internos quanto externos e que em outras épocas o mesmo sofreu aquecimentos que não resultaram da intensificação do Efeito estufa.
Dentre as apontadas causas sobre mudanças climáticas encontram-se as  terrestres (migração polar e deriva continental, mudanças na topografia, mudanças na distribuição das superfícies continentais e hídricas ,variações na cobertura de neve e de gelo), Astronômicas  (mudanças na excentricidade da órbita da Terra ,mudanças na precessão dos equinócios , mudanças na obliquidade do plano da elíptica) e  as Extraterrestres (Variações na quantidade de radiação solar -output solar e variações na absorção da radiação solar exterior à atmosfera terrestre).
   O assunto neste texto retratado merece, sem dúvidas uma grande  atenção, uma vez que o mundo tornou–se palco de  uma economia Industrial que cresce aceleradamente a fim de atender à demanda cada vez maior do consumo que se estabeleceu no mundo.

domingo, 29 de abril de 2012

Clima e Sítio

Tem-se com o presente texto o objetivo de divulgar a pesquisa que vem sendo realizada junto ao Laboratório de Biogeografia e Climatologia – BIOCLIMA UFV sobre clima e sítio urbano, assim como fomentar discussões sobre o assunto e criar um espaço de diálogo onde possam ser propostas diversas sugestões acerca do assunto.

A pesquisa encontra-se em desenvolvimento e teve seu início no ano de 2010, a partir do projeto intitulado “A importância do sítio no caráter climático nas cidades localizadas na Zona da Mata Mineira”, coordenado pelo Prof. Dr. Edson Soares Fialho e registrado no CNPq. Busca-se com esse projeto compreender e avaliar a influência do sítio urbano na configuração do clima de cidades de pequeno e médio porte, atentando-se para os fatores climáticos locais e do entorno próximo.

As cidades em estudo são Ponte Nova, Teixeiras, Viçosa, Visconde do Rio Branco e Ubá (Figura 1). Embora estejam localizadas em um mesmo Domínio Morfoclimático, o de Mares de Morros Florestados (AB’SÁBER, 2003), caracterizado por vales estreitos e elevações em forma de “meia laranja”, possuem sítios urbanos com características específicas. Apresentam cotas altimétricas distintas e peculiaridades quanto ao relevo circundante.

Localização da área de estudo.

Para atingir os objetivos propostos são realizados trabalhos de campo em diferentes estações do ano. Em cada cidade foram escolhidos três pontos de medições afastados do centro urbano, o primeiro situa-se no fundo do vale, o segundo na média encosta e o terceiro próximo ao topo da vertente. As medições dos parâmetros climáticos (temperatura, umidade, luminosidade, nebulosidade, vento) ocorrem simultaneamente nas cinco cidades nos horários de 9, 12, 15, 18 e 21 horas. Para isso, conta-se com a participação dos integrantes do BIOCLIMA-UFV.


Após a coleta dos dados em campo e a aferição dos mesmos, são confeccionados transetos utilizando-se do software Surfer for Windows® v. 10, para melhor representar o comportamento das variáveis climáticas ao longo dos horários de mensuração, bem como as alterações existentes ao longo do perfil Ponte Nova - Ubá. Abaixo encontra-se um exemplo dos transetos que são elaborados (Figura 2). 


Transeto de Variação de Temperatura do ar ao longo do perfil  Ubá-Ponte Nova, na Zona da Mata Mineira

Os resultados preliminares indicam haver influência das características e localização do sítio no comportamento dos elementos do clima. Por exemplo, no que diz respeito à temperatura do ar, as cidades de Teixeiras e Viçosa, localizadas no planalto, têm apresentado temperaturas inferiores as registradas em Visconde do Rio Branco e Ubá, localizadas na planície. Já Ponte Nova, vem apresentando temperaturas intermediárias, ou seja, inferiores as de Visconde do Rio Branco e Ubá e superiores as de Teixeiras e Viçosa – ver Fialho et al. (2011) e Alves et al (2011). Em situações de instabilidade atmosférica, as tendências observadas se alteram como já observado em medições feitas em agosto de 2011.

Sabe-se que na troposfera a temperatura decresce com o aumento da altitude, numa taxa aproximada de 0,6 °C para cada 100 metros, considerando o gradiente adiabático para o ar úmido (FRITZSONS, et al., 2008).

As análises realizadas até o presente momento indicam que apenas a variação altimétrica não justifica as diferenças existentes no comportamento dos elementos do clima na área em estudo. Afinal, o desnível altimétrico do planalto de Viçosa para a planície de Ubá, de aproximadamente 300 metros, não proporciona, por exemplo, diferenças de temperatura de aproximadamente 10 °C entre essas localidades (FIALHO et al. 2011).

Atualmente a hipótese colocada é que as maiores temperaturas, as menores taxas de umidade relativa do ar, os ventos de menor intensidade, etc, observados em Visconde do Rio Branco e Ubá, quando comparado principalmente a Viçosa e Teixeiras, sejam provocados pela conformação do sítio urbano e pela configuração do relevo circundante a tais cidades.

Ubá e Visconde do Rio Branco encontram-se envolvidas por um conjunto de serras formadas pela reentrância do complexo da Mantiqueira nessa localidade, de origem tectônica. Dessa forma, ambas as cidades situam-se no chamado “Golfão de Ubá” (ANDRADE, 1961), que proporciona a área uma formação de relevo semelhante a uma ferradura quando observado do alto da escarpa de São Geraldo.

Para melhor compreender a relação entre clima e sítio ao longo do perfil Ponte Nova – Ubá novas mensurações vem sendo realizadas, a fim de coletar dados que possibilitem analisar com maior propriedade a influência dos fatores geográficos nas particularidades climáticas dos municípios, assim como discutir a hipótese levantada. Ressalta-se aqui as dificuldades de encontrar na literatura disponível trabalhos em Geografia desse caráter, que possam contribuir para o desenvolvimento teórico-metodológico da pesquisa e sirvam de parâmetro aos resultados previamente encontrados.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

AB’SÁBER, A. N. Os Domínios De Natureza No Brasil: Potencialidades Paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editora, 2003.

ALVES, R. S.; SOUZA, P. O.; FIALHO, E. S. A influência do sítio urbano no comportamento dos atributos climáticos de cinco cidades da zona da mata mineira norte: uma análise comparativa. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA FÍSICA APLICADA. 14, 2011. Dourados, MS, Anais..., Dourados, MS, 2011, cd-rom.

ANDRADE, M. C. Aspectos Geográficos da Região de Ubá. Anais da Associação dos Geógrafos Brasileiros, São Paulo, Avulso n. 1, 1961.

FIALHO, E. S.; ALVES, R. S.; LOPES, D. I. Clima e sítio na Zona da Mata Mineira: uma análise em episódios de verão. Revista Brasileira de Climatologia, ano 7, v. 8, p. 118-136, jan./jul. 2011.

FRITZSONS, E.; MANTOVANI, L. E.; AGUIAR, A. V. Relação entre altitude e temperatura: Uma contribuição ao zoneamento climático no estado do Paraná. Revista de Estudos Ambientais, Blumenau, v. 10, n. 1, p. 49-64, 2008. Disponível em: http://proxy.furb.br/ojs/index.php/rea/article/view/902/681. Acesso em 21 Dez. 2011.


Texto produzido por: ALVES, Rafael de Souza. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Bolsista PIBIC/CNPq. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia – Bioclima UFV. E-mail rafael.s.alves@ufv.br.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

O CONCEITO DE BIOMA E IMPLICAÇÕES BIOGEOGRÁFICAS DECORRENTES DAS QUEIMADAS


Na semana passada discutimos sobre a relação entre umidade do ar e práticas de queimadas, onde enfatizamos a maior incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra durante os meses de inverno e a maior evapotranspiração dos vegetais. Hoje, como já indicado no título da postagem, iremos discorrer sobre o conceito de bioma e a ocorrência de queimadas nestas áreas.
O conceito de bioma veio ao longo dos tempos passando por certas transformações e variando em determinados pontos de acordo com cada autor. A primeira definição de bioma levava em consideração apenas o clima e a vegetação de uma área geográfica qualquer como sendo os únicos responsáveis pelas características de um determinado bioma. Já a segunda definição de bioma pautava-se no clima, na vegetação e na fauna de uma dada região. Por fim, a terceira definição de bioma referente-se a Walter, que leva em consideração além do clima e da vegetação, a influência do solo e da altitude como fatores que podem interferir nas características fitofisionômicas de uma paisagem.
Segundo COUTINHO1, o conceito de bioma desenvolvido por Walter é um dos mais modernos e aborda uma perspectiva ecológica e prática. Em seu conceito, Walter utiliza palavras como zonobiomas, eubiomas, orobiomas e pedobiomas, de modo à melhor analisar as especificidades existentes dentro dos próprios biomas.
Os diferentes conceitos de bioma é ainda hoje uma das questões discutidas nos cursos de Biogeografia, afinal, cada um deles possui suas particularidades e ampliam o arcabouço teórico deste ramo do saber.
Embora, segundo SILVA (2006), grande parte das queimadas e suas implicações à saúde humana ocorram em áreas urbanas, faz-se necessário atentarmos também às práticas de queimadas desenvolvidas em biomas, principalmente naqueles já amplamente devastados pela ação antrópica como a Mata Atlântica. Muitas das vezes, os incêndios causam perturbações e fragmentações que podem demandar longos anos até que a área afetada se regenere e retorne ao seu equilíbrio, o que significa uma baixa resiliência do ambiente pertubado.
As queimadas realizadas em biomas que possuem fitofisionomias de grande porte e elevada densidade (por exemplo, a floresta Amazônica e a Mata Atlântica), intensificam o chamado efeito de borda. Este é derivado da entrada de luminosidade no interior das matas e biomas, podendo ocasionar alterações na umidade da área afetada e, conseqüentemente, modificações no ecossistema. A abertura de fragmentos, cuja gênese não se restringe somente a práticas de queimadas, segundo VIANA (1998, p 26), “(...) introduz uma série de novos fatores na história evolutiva de populações naturais de plantas e animais. Essas mudanças afetam de forma diferenciada os parâmetros demográficos de mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a estrutura e dinâmica de ecossistemas.”
Curiosamente, no bioma cerrado (denominado também como “Savana brasileira”) a propagação de queimadas é um fator natural a este ecossistema. A vegetação de cerrado – do tipo xerófila – desenvolve-se em um ambiente de relativa escassez de água, sobre solos pobres quimicamente, rasos e com presença de fogo em determinadas épocas do ano. Geralmente o clima em ambientes de cerrado se caracteriza por duas estações bem definidas no decorrer do ano, uma chuvosa e a outra seca, sendo nesta última a mais favorável a ocorrência de incêndios.
No entanto, mesmo sobre um ambiente sensível, o cerrado é um bioma de significativa biodiversidade. Possui espécies de flora e fauna endêmicas que estão tornando-se cada vez mais parcos devido à degradação do bioma.


Texto produzido por: ALVES, Rafael de Souza. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia – UFV. rafael.s.alves@ufv.br


Referências bibliográficas.
BROWN & LIMOLINO. Biogeografia. 2. ed. Ribeirão Preto, SP. Funpec Editora, 2006.
COUTINHO, Leopoldo Magno. O conceito de bioma. Acta bot. 20(1): 1-11. 2006. Versão eletrônica do artigo em WWW.scielo.br/abb.
CUNHA, Hélida Ferreira da. FERREIRA, Anamaria Achtschin. Composição e fragmentação do Cerrado em Goiás usando Sistema de Informação Geográfica (SIG). Boletim Goiano de Geografia. v 27. n 2. 139-152. 2007.

SILVA, Alexandra Souza da. Prática de queimadas e as implicações sociais e ambientais na cidade de Araguaina-TO. Caminhos de Geografia 7 (18) 8 – 16, jun/2006.
VIANA, Virgílio M. PINHEIRO, Leandro, A.F.V. Conservação da biodiversidade em fragmentos florestais. Série Técnica IPEF. v 12. n 32. p 25-42. dezembro 1998.



1COUTINHO, Leopoldo Magno. “O conceito de bioma”. Disponível em: www.scielo.br/abb.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Deserto do Irã é o lugar mais quente do mundo, revelam satélites

RIO - Nem no Rio de Janeiro, como gostamos de pensar, nem no Saara, como sugere a marchinha de carnaval. O lugar mais quente da Terra é o Deserto de Lut, no Irã, onde a temperatura chegou a 70,7 graus Celsius em 2005, segundo medições da Nasa, divulgadas ontem por uma equipe da Universidade de Montana, nos Estados Unidos. Localizado no leste do Irã, o Lut conta com uma paisagem árida repleta de grandes colinas de fragmentos de rocha esculpidas pelo vento. Sem aparelhos de ar condicionado ou qualquer proteção, um ser humano não resistiria por um dia àquele ambiente.

Foi pensando nessa limitação que o ecologista Steven Running resolveu desenvolver o estudo, que será publicado pela "Journal of Geophysical Research". O pesquisador lembra que há, distribuídas pelo planeta, 11.119 estações cadastradas na Organização Meteorológica Mundial (OMM). Isso equivale a apenas um ponto de temperatura monitorada a cada 13 mil quilômetros quadrados de superfície terrestre. Fica evidente, portanto, a existência de regiões tão remotas que são ignoradas por aquela instituição.

- Os desertos quentes do planeta, como o Saara, Gobi (entre China e Mongólia) e Sonora (EUA e México) são climaticamente rigorosos demais, e o acesso é tão remoto que uma medição de rotina da temperatura, ou a manutenção de uma estação, são impraticáveis - explica Running. - A maioria desses pontos é ignorada por equipamentos instalados em solo. Os satélites, porém, nos dão uma visão contínua da superfície, permitindo uma observação igual tanto destas áreas quanto de outras mais alcançáveis.


Imagem do deserto de Lut feita por satélite da Nasa em 1999 nas cores naturais.(Divulgação Nasa)



Imagem do deserto de Lut feita com câmera de infravermelho, os locais mais claros a supefície registrava 70°C.(Divulgação …

Hemisfério Sul menosprezado

Running usou um dispositivo em dois satélites: o Terra, lançado em 1999, e o Aqua, no espaço desde 2002. Conhecido como Modis, este instrumento passa diariamente por toda a superfície da Terra e pode detectar a energia infravermelha ali emitida. Assim, pode calcular as temperaturas e "preencher as lacunas" entre as estações meteorológicas.

A equipe americana fez as medições por sete anos, a partir de 2003; em cinco deles, o Deserto de Lut foi o que registrou temperaturas mais altas. As exceções foram 2003, quando o título ficou para a província de Queensland, no norte da Austrália (com 69,3º C) e 2008, período em que venceram os 66,8º C da Bacia de Turfan, na China.

A influência da cobertura vegetal sobre as medições ainda deve ser avaliada, segundo o estudo; por isso florestas como a do Congo podem não ter marcado presença entre os locais mais cálidos do planeta. No entanto, com o desmatamento à toda em diversas regiões tropicais, aliado a mudanças climáticas e à intensificação de eventos extremos, é provável que Lut, Queensland e Turfan tenham mais concorrentes nas próximas décadas.

Ex-chefe da Divisão de Satélites do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, Carlos Frederico de Angelis acredita que o levantamento da Universidade de Montana pode ter minimizado a quentura de alguns endereços do Hemisfério Sul.

- Essa distribuição dos locais mais quentes deve ser mais homogênea - avalia o cientista, agora coordenador-geral de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). - É fato que o nível de observação dos satélites é muito reduzido no Hemisfério Sul. A maioria dos países desenvolvidos, que tem condições financeiras e interesse para desenvolver pesquisas, está no Norte. Além disso, há muito mais terras naquele hemisfério do que no nosso.


Para a bióloga Ana Elisa Silva, também do Cemaden, temperaturas como a registradas pelo estudo "não são viáveis para a vida humana".

- Há micro-organismos que se desenvolvem em locais extremos. Alguns fungos, por exemplo, conseguem se viver a mais de 100 graus Celsius - destaca. - Nosso corpo tem mecanismos para manter a temperatura interna, que é de 36 graus, mas ele não conseguiria se ajustar naturalmente, sem recorrer a qualquer recurso, a uma condição tão radical.

Ana Elisa ressalta que há pessoas "que conseguem um controle do corpo incomum" para se adequar a ambientes inóspitos, mas tratam-se de exceções. Algumas estranham mesmo temperaturas bem mais amenas - a de um verão carioca, por exemplo.

- Já estive no Rio e aproveitei bastante, mas estava muito calor para mim, uma pessoa que vive em um local onde neva - admite Running.


Esta matéria pode se acessada através do site :

http://br.noticias.yahoo.com/deserto-ir%C3%A3-%C3%A9-lugar-quente-mundo-revelam-sat%C3%A9lites-004258526.html

sábado, 11 de fevereiro de 2012

VERANICO E ZONA DA MATA MINEIRA

A região sudeste do Brasil é uma das mais diversificadas em termos climáticos em função de sua localização latitudinal e longitudinal, variação altimétrica, morfologia, sistemas atmosféricos atuantes, dentre outros fatores e dinâmicas que orquestram seu clima, como já mostrou João Lima Sant’Anna Neto (2005).

A messoregião da Zona da Mata Mineira, por localizar-se no sudeste brasileiro, área de transição climática, reflete parte dessa realidade. Seu relevo dissecado, movimentado, caracterizado por vales estreitos e morros em formato de “meia-laranja”, presença de serras como a do Caparaó e da Mantiqueira, favorecem o aumento da turbulência do ar durante a penetração de sistemas atmosféricos de larga escala, como os Frontais, e a formação de ambientes de clima singulares.
O inverno (seco) e o verão (chuvoso) são as estações mais bem definidas da Zona da Mata Mineira. As temperaturas máximas e mínimas durante essas estações do ano são condicionadas pelo tipo de tempo atuante, associada à variação altimétrica, localização do sítio, posição e orientação dos vales por onde se desenvolveram o processo de ocupação da área.

Nesse verão de 2012 notou-se maior quantidade de chuvas durante o princípio do mês de janeiro, que proporcionou enchentes em municípios da mesorregião como, por exemplo, o de Ponte Nova e o de Guidoval. Nesse começo do mês de fevereiro houve queda dos totais diários de precipitação, em relação ao mês anterior, e dias com ausência de chuvas em determinadas localidades da Zona da Mata Mineira, como verificado nos últimos sete dias nas cidades de Ponte Nova, Teixeiras, Viçosa, Visconde do Rio Branco, Ubá, São Geraldo e outros municípios.

O período de dias com ausência de chuvas durante a estação chuvosa é denominado veranico (CARVALHO et al., 2000). A definição do conceito “veranico” em regiões tropicais é ainda conflituosa, a começar pelas divergências existentes na literatura quanto ao que seria um “dia seco”, como mostram Minuzzi et al. (2005).
O fenômeno veranico pode acarretar prejuízos econômicos aos agricultores por reduzir a produtividade das culturas, principalmente quando a disponibilidade de água no solo é insuficiente para suprir as taxas e evaporação nos campos de cultivo (MINUZZI et al., 2005). Embora o setor agrícola não seja o principal provedor do PIB da Zona da Mata Mineira, as perdas geradas pela falta das chuvas durante o verão podem afetar de forma significativa a renda familiar de pequenos agricultores da mesorregião, por serem eles, na maioria das vezes, os mais suscetíveis ao clima, em decorrência de poucos recursos e infra-estrutura.

Com o veranico as sensações de desconforto térmico sentido pelas populações podem ser agravadas. Pois a ausência de chuvas favorece a diminuição da porcentagem de umidade presente no ar, associado a temperaturas diárias mais elevadas proporcionadas pela estação de verão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, D. F.; FARIA, R. A.; SOUSA, S. A. V.; BORGES, H. Q. Espacialização do período de veranico para diferentes níveis de perda de produção na cultura do milho, na bacia do rio Verde Grande, MG. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 4, n. 2, p. 172-176, 2000.
MINUZZI, R. B.; SEDIYAMA, G. C.; RIBEIRO, A.; COSTA, J. M. N. El Niño: ocorrência e duração dos veranicos do Estado de Minas Gerais. Revista de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 9, n. 3, p. 364-371, 2005.
SANT’ANNA NETO, J. L. Decálogo da Climatologia do Sudeste Brasileiro. Revista Brasileira de Climatologia, v. 1, n. 1, dez. 2005.


Texto produzido por: ALVES, Rafael de Souza. Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa. Bolsista PIBIC/CNPq. Membro do Laboratório de Biogeografia e Climatologia – Bioclima-UFV. E-mail rafael.s.alves@ufv.br.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Brasil pode ter quase 90% mais enchentes até 2100, diz estudo

A ocorrência de enchentes em rios do Brasil pode ser quase 90% maior até o fim do século, se nada for feito para combater as mudanças climáticas, de acordo com um estudo divulgado na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Durban, na África do Sul.

A pesquisa científica do Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, simulou os impactos, em 24 países, de emissões - no padrão atual - em 21 modelos climáticos diferentes. Cada modelo foi produzido por computadores poderosos que simulam a interação entre parâmetros de dados da atmosfera, temperaturas e oceanos.

No caso do Brasil, a conclusão a que chegaram é que o risco de aumento de enchentes no país seria 87% mais alta que atualmente. Esse é o valor central entre os dois extremos dos resultados apresentados pelos modelos climáticos, tanto de aumento (na maioria) quanto de redução do risco.

Os resultados mais extremos dos modelos chegaram a indicar um aumento de 638% no risco de cheias no Brasil. Por outro lado, houve modelos que indicaram até queda neste risco, com o mínimo sendo de -67%.

Sem ações para a redução de emissões, o aumento de temperatura pode ficar entre 3ºC e 5ºC até o fim do século, segundo a pesquisa.

Outra pesquisa divulgada no início da semana indica que, mesmo com as reduções já prometidas, o aquecimento global até 2100 pode chegar a 3,5ºC.

Sinal de alerta

A pesquisa foi encomendada pelo governo britânico e usada como sinal de alerta para que os negociadores de 194 países reunidos em Durban busquem um empenho maior na busca por um acordo de redução de emissões.

"Nós queremos um acordo global e legalmente vinculante para manter (o aumento) das temperaturas abaixo de 2ºC. Se isso for conseguido, este estudo mostra que alguns dos mais significativos impactos das mudanças climáticas poderiam ser evitados significativamente", afirmou o ministro de Energia e Mudança Climática da Grã-Bretanha, Chris Huhne.

Entre os 24 países analisados no estudo, o Brasil, apesar da possibilidade alarmante de aumento de enchentes, aparece como um dos que menos seriam afetados pelas mudanças climáticas, tanto positivamente quanto negativamente.

A Espanha, por exemplo, pode perder 99% da sua área de cultivo na agricultura, segundo os modelos climáticos, além de enfrentar um aumento na escassez de água que afetaria 68% da população.

A falta d'água também aparece como problema grave para o Egito, onde 98% da população seria afetada. O país norte-africano também perderia mais de 70% de sua área de cultivo.

A Grã-Bretanha, cujos dados meteorológicos, de temperatura e outros usados nos modelos são mais robustos, poderia até ter motivos para comemorar os impactos das mudanças climáticas. Enquanto o estudo indica que o Brasil não deve perder nem ganhar área de cultivo, a Grã-Bretanha poderia praticamente dobrar a sua agricultura, com um aumento de 96% na área compatível.

Os impactos se devem principalmente a previsões de mudança nos padrões de chuvas no planeta.

Isso pode levar a grandes riscos de fome, principalmente na África e em Bangladesh. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,brasil-pode-ter-quase-90-mais-enchentes-ate-2100-diz-estudo,808241,0.htm

domingo, 11 de dezembro de 2011

Acordo suado na COP-17

DURBAN - Na mais longa reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas até hoje, representantes de 194 países concordaram, por volta das 5h deste domingo (1h de Brasília), em renovar o Protocolo de Kyoto pelo menos até 2017 e iniciar um processo com força legal, cujo resultado será um novo pacto global sobre o clima, a entrar em vigor a partir de 2020.No fim do encontro, cerca de 36 horas depois do previsto, ficou estabelecida também a estrutura do Fundo Verde do Clima - criado para financiar ações de combate às mudanças do clima -, que ganhou promessas de fundos de países europeus como Alemanha, Dinamarca e Grã-Bretanha.

O novo Protocolo de Kyoto terá a participação de menos países, com a saída de Rússia, Japão e Canadá, e começará a vigorar no início de 2013. Foi aprovada também a estrutura que possibilitará projetos de redução de emissões por desmatamento e degradação, o chamado REDD. Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi um desfecho "histórico" para o encontro, mas ambientalistas consideraram o progresso modesto, lembrando que as decisões da reunião COP-17 não afastam o planeta da perigosa rota que, segundo cientistas, levará o planeta a um aquecimento entre 3,5ºC e 5ºC acima dos níveis pré-industriais, ou seja, bem acima dos 2ºC recomendados pela ciência.

Já outros disseram considerar o resultado muito pior que o esperado e apontaram o dedo na direção dos Estados Unidos. "Conduzidos pelos EUA, os países desenvolvidos renegaram as suas promessas, enfraqueceram as regras sobre ações climáticas e fortaleceram aqueles que permitem às suas corporações lucrarem com a crise do clima", disse Sarah-Jayne Clifton, da organização Amigos da Terra internacional. O Greenpeace também acusou os americanos de terem enfraquecido o resultado do encontro africano.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,reuniao-do-clima-termina-com-atraso-e-acordo-em-durban,809570,0.htm

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Notícias da COP-17

Na noite de quinta-feira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, falava, otimista, em um "espírito de cooperação", poucas horas depois de os Estados Unidos terem dito claramente que apoiam o plano da União Europeia de um processo que levaria a um tratado com força de lei e metas de redução de emissões. O possível acordo que se desenha em Durban deve dar sobrevida ao Protocolo de Kyoto, que expira daqui a um ano, com as metas de redução de emissões propostas em Copenhague, ainda que, entre os grandes emissores de CO2, apenas a UE seja incluída. Por outro lado, ele abriria caminho para um pacto inédito, caso o "espírito de cooperação" citado pela ministra Izabella Teixeira se manifeste na forma de flexibilidade e concessões.

Plano europeu

O plano europeu, que conta agora com uma promessa de apoio dos EUA, prevê a assinatura de um roteiro de negociações que culminaria com um novo pacto global legalmente vinculante em 2015, o que daria entre quatro e cinco anos para os países o ratificarem domesticamente, entrando em vigor em 2020. No entanto, além da dúvida sobre um compromisso concreto dos americanos, ainda há outras interrogações. O Brasil vem insistindo em adiar as negociações para depois de 2015, para que as metas negociadas para 2020 sejam baseadas na ciência recomendada pelo próximo relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que só deve sair entre 2013 e 2014.

Com isso, o país vai contra a nova aliança entre os países mais ricos, da União Europeia, e os mais pobres do planeta, representados pelos grupos das pequena nações insulares conhecido pela sigla em inglês Aosis e os Países Menos Desenvolvidos (LDC, na sigla em inglês), além de alguns países africanos, que querem negociar as metas para 2020 o mais rápido possível. Entretanto, essa suposta falta de pressa do Brasil não é uma posição imutável, como ficou claro no discurso de abertura do segmento de alto nível da COP-17 da ministra do Meio Ambiente na quinta-feira. Indicando uma flexibilização na posição brasileira, ela deixou a porta entreaberta para futuras concessões ao falar em "mais cedo possível".

"Se todos, repito, todos, trabalharmos juntos poderemos negociar o mais cedo possível um novo instrumento legalmente vinculante sobre a convenção, baseado nas recomendações da ciência que inclua todos os países para o período imediatamente pós 2020", discursou.

Maior poluidor do planeta

Um terceiro ponto ainda não esclarecido é a posição do maior poluidor do planeta, a China, e também da Índia, nas negociações. Enquanto o Brasil não teria maiores problemas com metas obrigatórias no futuro, não está claro a partir de quando indianos e chineses estariam dispostos a aceitar este tipo de limites. Diante da pressão crescente por um acordo, observadores dizem que China, o maior poluidor do planeta, e Índia também podem acabar aceitando negociar o futuro acordo global, embora ambos tenham reiterado que não aceitam ser equiparados aos países desenvolvidos que têm a responsabilidade histórica pela alta concentração de CO2 na atmosfera.

"Ninguém quer ficar marcado como o país que levou Durban ao fracasso", afirmou o integrante de uma delegação que não quis ser identificado. As negociações, que devem varar a noite de sexta-feira em Durban, devem tentar encontrar uma declaração final aceitável para todas as partes.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,reuniao-do-clima-pode-levar-a-acordo-global-em-2020,808710,0.htm

domingo, 4 de dezembro de 2011

A ciência foi deixada de lado na COP'

O cientista indiano Rajendra Pachauri, de 71 anos, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), acompanha com frustração a 17.ª Conferência do Clima da ONU, a COP-17. O pesquisador, que concedeu entrevista ao Estado em uma pequena sala VIP no centro de convenções de Durban, avalia que a ciência e os alertas dados pelos cientistas não estão no centro das negociações climáticas.

Para ele, não é necessariamente fundamental garantir a segunda fase do Protocolo de Kyoto nessa reunião, mas é preciso que haja avanços independentemente do acordo que seja escolhido. "Gostaria que houvesse uma forma de tornar a ciência sobre clima uma parte mais central nas discussões nas negociações. Porque pelo menos assim você poderia dizer que não se pode adiar as ações por muito tempo. E tomar medidas pode ser realmente atraente, e não caro", afirma. A reunião segue até a próxima sexta-feira, 9.

Apesar dos alertas do IPCC e do recente relatório especial sobre eventos extremos que mostram os impactos das mudanças climáticas, o avanço nas negociações é muito lento. Como o senhor avalia essa situação?

Nas negociações que estão acontecendo aqui, nós não podemos perder de vista a ciência das mudanças climáticas. Você mencionou corretamente que recentemente publicamos um relatório especial sobre eventos extremos e desastres e como podemos avançar na adaptação (preparação para esses eventos). Eu gostaria de ver uma discussão muito mais focada nessas questões, e o que a comunidade global pode fazer para lidar com esses impactos.

O senhor acha importante focar mais em adaptação?

Acho que precisamos lidar com os dois, adaptação e mitigação (cortes de emissões de gases-estufa). Porque nós não teremos capacidade de nos adaptar a todos os impactos. Podemos nos adaptar a algumas situações, mas, depois de um certo tempo, fica muito difícil e caro fazer isso. Então, precisamos olhar para a mitigação também. Neste ano apresentamos um relatório sobre energias renováveis que claramente mostra que é possível usar muito mais energias renováveis e, com mais pesquisas em seu desenvolvimento, os custos podem cair. O que estou dizendo é que eu gostaria que houvesse uma forma de tornar a ciência sobre clima uma parte mais central nas discussões nas negociações. Porque pelo menos assim você poderia dizer que não se pode adiar as ações por muito tempo. E que tomar medidas pode ser realmente atraente, e não caro.

A ciência então não está no centro da discussão hoje?

Não parece estar. Não estou envolvido diretamente na negociação, mas a acompanho e não vejo a ciência no centro do debate.

As pessoas costumam dizer que os cientistas do IPCC eram radicais e pessimistas. Mas em dois anos novos estudos podem mostrar que a situação é ainda mais perigosa do que o previsto?

Não sei, ainda estamos trabalhando nesse relatório. No relatório especial sobre eventos extremos e desastres, nós apontamos as áreas em que ainda não temos muitas evidências e também as em que as evidências claramente mostram que ondas de calor aumentarão, assim como os eventos de precipitações extremas e a elevação do nível do mar - e isso é uma ameaça a áreas costeiras. Trouxemos todas as informações com um grande cuidado, de forma robusta. Ninguém pode dizer que alguém dentro do IPCC é radical.

Ao contrário, eu ia perguntar se os cientistas não estavam sendo cautelosos demais no relatório de 2007.

Temos muito mais evidências hoje, muito mais pesquisas publicadas sobre mudanças climáticas. E o IPCC funciona com a avaliação de pesquisas publicadas (o IPCC não faz as próprias pesquisas). E, agora, temos muito mais estudos do que nos anos anteriores ao quarto relatório do IPCC, de 2007. Certamente, estamos num nível muito melhor agora. É claro que em algumas partes do mundo temos grandes lacunas, não temos estudos em todos os locais e isso ocorre principalmente nos países mais vulneráveis.

Veja o restante da entrevista no site: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,a-ciencia-foi-deixada-de-lado-na-cop,806550,0.htm

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que são COP ?

As COP (Conference of Parties, em inglês) são os encontros dos países que assinaram dois acordos na Rio 92; um sobre a biodiversidade e outro sobre as mudanças climáticas. A COP sobre diversidade biológica é bianual, e realizou sua décima edição em outubro de 2010. A COP sobre mudança climática é realizada anualmente, e Durban, na África do Sul, sedia sua 17ª edição.

COP 1 – 1995 (Berlim, Alemanha)

A primeira conferência iniciou o processo de negociação de metas e prazos específicos para a redução de emissões de gases de efeito estufa pelos países desenvolvidos. As nações em desenvolvimento não foram incluídas na discussão sobre metas, respeitando ao princípio da Convenção que fala sobre “Responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Foi então sugerida a criação de um protocolo a ser apresentado dois anos depois, em 1997, que viria a ser o Protocolo de Quioto. Nessa primeira conferência também houve avanço nos debates sobre cooperação internacional entre nações ricas e países em desenvolvimento. Foram aprovadas as “Atividades Implementadas Conjuntamente” com o objetivo de ampliar a implantação de projetos de suporte financeiro e transferência de tecnologia.

COP 2 – 1996 (Genebra, Suíça)

Foi durante a COP 2 que as Partes decidiram pela criação de obrigações legais de metas de redução por meio da Declaração de Genebra. Um importante passo foi dado referente a apoio financeiro: foi decidido que os países em desenvolvimento poderiam solicitar à Conferência das Partes apoio financeiro para o desenvolvimento de programas de redução de emissões, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente.

COP 3 – 1997 (Quioto, Japão)

A terceira Conferência das Partes foi marcada pela adoção do Protocolo de Quioto, que estabelece metas de redução de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, chamados “Países do Anexo I”. De modo geral, as metas são de 5,2% das emissões de 1990, porém alguns países assumiram compromissos maiores: Japão – 6%, União Européia – 8% e Estados Unidos, que acabaram não ratificando o acordo, 7%. A entrada em vigor do acordo estava vinculada à ratificação por no mínimo 55 países que somassem 55% das emissões globais de gases do efeito estufa, que aconteceu apenas em 16 de fevereiro de 2005, quando a Rússia decidiu se comprometer. Os Estados Unidos se retiraram do acordo em 2001.


COP 4 – 1998 (Buenos Aires, Argentina)

A COP 4 centrou esforços para a implementar o Protocolo de Quioto. Foi o chamado Plano de Ação de Buenos, que levou para o debate internacional um programa de metas que levaram em consideração a análise de impactos da mudança do clima e alternativas de compensação, atividades implementadas conjuntamente (AIC), mecanismos financiadores e transferência de tecnologia.

COP 5 – 1999 (Bonn, Alemanha)

O destaque da COP 5 foi a implementação do Plano de Ações de Buenos Aires, mas também o início das discussões sobre o Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas. A quinta conferência discutiu ainda a execução das Atividades Implementadas Conjuntamente em caráter experimental e do auxílio para capacitação de países em desenvolvimento.

COP 6 – 2000 (Haia, Holanda)

Começam a surgir impasses mais acentuados entre as Partes e as negociações são suspensas pela falta de acordo entre, especificamente, a União Européia e os Estados Unidos, em assuntos relacionados ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, mercado de carbono e financiamento de países em desenvolvimento, além de discordância sobre o tema Mudanças no uso do solo.

COP 6 ½ e COP 7 – 2001 (2ª fase da COP 6 ), (COP 7- Marrakech, Marrocos)

Uma segunda fase da COP-6 foi então estabelecida em Bonn, na Alemanha, em julho de 2001, após a saída dos Estados Unidos do Protocolo de Quioto sob a alegação de que os custos para a redução de emissões seriam muito elevados para a economia americana. Os EUA também

contestaram a inexistência de metas para os países em desenvolvimento. Foi então aprovado o uso de sumidouros para cumprimento de metas de emissão, discutidos limites de emissão para países em desenvolvimento e a assistência financeira dos países desenvolvidos.

Os Acordos de Marrakesh definiram os mecanismos de flexibilização, a decisão

de limitar

o uso de créditos de carbono gerados de projetos florestais do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e o estabelecimento de fundos de ajuda a países em desenvolvimento voltados a iniciativas de adaptação às mudanças climáticas.

COP 8 – 2002 (Nova Delhi, Índia)

O ano de 2002 também foi marcado pela Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +10), encontro que influenciou a discussão durante a COP 8 sobre o estabelecimento de metas para uso de fontes renováveis na matriz energética dos países. Essa COP também marca a adesão da iniciativa privada e de organizações não-governamentais ao Protocolo de Quioto e apresenta projetos para a criação de mercados de créditos de carbono.

COP 9 – 2003 (Milão, Itália)

A COP 9 teve como centro dos debates a regulamentação de sumidouros de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, estabelecendo regras para a condução de projetos de reflorestamento que se tornam condição para a obtenção de créditos de carbono.

COP 10 – 2004 (Buenos Aires, Argentina)

As Partes aprovam as regras para a implementação do Protocolo de Quioto e discutiram a regulamentação de projetos de MDL de pequena escala de reflorestamen

to/florestamento, o período pós-Quioto e a necessidade de metas mais rigorosas. Outro destaque foi a divulgação de inventários de emissão de gases do efeito estufa por alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

COP 11 – 2005 (Montreal, Canadá)

Primeira conferência realizada após a entrada em vigor do Protocolo de Quioto. Pela primeira vez, a questão das emissões oriundas do desmatamento tropical e mudanças no uso da terra é aceita oficialmente nas discussões no âmbito da Convenção. Também foi na COP 11 que aconteceu a primeira Conferência das Partes do Protocolo de Quioto (COP/MOP1). Na pauta, a discussão do segundo período do Protocolo, após 2012, para o qual instituições européias defendem reduções de emissão na ordem de 20 a 30% até 2030 e entre 60 e 80% até 2050.

COP 12 – 2006 (Nairóbi, África)

Financiamento de projetos de adaptação para países em desenvolvimento e a revisão do Protocolo de Quioto foram os destaques da COP 12. O governo brasileiro propõe oficialmente a criação de um mecanismo que promova efetivamente a redução de emissões de gases de efeito estufa oriundas do desmatamento em países em desenvolvimento, que mais tarde se tornaria a proposta de Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação.

COP 13 – 2007 (Bali, Indonésia)

Nessa reunião, foi criado o Bali Action Plan (Mapa do Caminho de Bali), no qual os países passam a ter prazo até dezembro de 2009 para elaborar os passos posteriores à expiração do primeiro período do Protocolo de Quioto (2012). A COP 13 estabeleceu compromissos mensuráveis ,

verificáveis e reportáveis para a redução de emissões causadas por desmatamento das florestas tropicais. Também foi aprovada a implementação efetiva do Fundo de Adaptação, para que países mais vulneráveis à mudança do clima possam enfrentar seus impactos. Diretrizes para financiamento e fornecimento de tecnologias limpas para países em desenvolvimento também entraram no texto final, mas não foram apontadas quais serão as fontes e o volume de recursos suficiente para essas e outras diretrizes destacadas pelo acordo, como o apoio para o combate ao desmatamento nos países em desenvolvimento e outras ações de mitigação.

COP 14 – 2008 (Poznan, Polônia)

O encontro de Poznan ficou como um meio termo político entre a COP 13 e a expecta

tiv

a pela COP 15, tendo em vista o cenário político mundial, com a eleição do presidente americano Barack Obama. Um avanço em termos de compromisso partiu das nações em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia, México e África do Sul que demonstraram abertura para assumir

compromissos não obrigatórios para a redução das emissões de carbono.

COP 15 – 2010 (Copenhague, Dinamarca)

A Conferência do Clima de Copenhague (COP 15) terminou sem grandes avanços em torno de um acordo climático global. No entanto, deixou abertos os trilhos de negociação e ainda conseguiu evoluir em temas de importância para os países em desenvolvimento, como a discussão sobre um mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Ao final do evento, a ONU “tomou nota” do Acordo de Copenhague, que reconhece a necessidade de limitar o aumento da temperatura global para não subir mais de 2º C. Em relação a financiamento, os países desenvolvidos se comprometeram a fornecer US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 e que tem como objetivo mobilizar US$ 100 bilhões por ano em 2020, ambos os

recursos para ações de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento.


COP 16 – 2010 (Cidade do México, México)



COP 17 - África do Sul

Ministra do meio-ambiente do país sede da COP 17, Edna Molewa, discute os desafios e compromisso da África do Sul nessa importante agenda.

A tarefa da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 17), que teve início no dia 28 de novembro (segunda-feira), e se estende até 9 de dezembro em Durban, na África do Sul, não é das mais fácies. Mais uma vez uma COP tenta avançar rumo a um acordo global de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. Neste cenário, o principal objetivo da conferência é chegar a um acordo sobre como tentar resolver de maneira eficaz a mudança climática do mundo inteiro, de forma justa, e desse modo enfrentar a ameaça que representa para o desenvolvimento e crescimento humano.

A Sra. Edna Molewa, ministra de Assuntos do Meio Ambiente e Recursos Hídricos é a Cchefe da Delegação Sul-Africana na COP17 e, nesta função, ela está encarregada de comandar a delegação do país na execução de seus interesses nas negociações.

“A mudança climática é sem dúvida o maior desafio que a humanidade enfrenta e a principal ameaça para o desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e qualidade de vida”, pontua a ministra Molewa. “Os avanços do desenvolvimento conquistados pelo continente africano na última década estão vulneráveis aos efeitos da mudança climática, e uma resposta global representa uma oportunidade para a África para promover os seus objetivos de desenvolvimento sustentável”, completa a ministra.

A delegação sul-africana para a COP deste ano concentrou-se em três áreas de cursos preparatórios para a COP, são elas: .desenvolvimento, compilação, aprovação e ação de lobby da posição de negociação da COP17 na África do Sul; .coordenação e implementação do Greening e Legacy Projects que reduzem ou indenizam os impactos das mudanças climáticas, a fim de deixar um legado duradouro; e Programa de Mobilização e Conscientização do Povo sobre Mudança Climática, que visa aumentar a consciência e compreensão da mudança climática em várias comunidades na África do Sul conforme nos aproximarmos da COP.

“A COP17 deve fornecer oportunidade em geral tanto para a África do Sul como para o continente africano para garantir que as Mudanças Climáticas e as alterações associadas aos padrões climáticos não ameacem o desenvolvimento”, defende a ministra. Para a África o bom resultado das conferências sobre mudança climática é fundamental uma vez que se prevê que até 2080, cerca de 70 milhões de pessoas e até 30% da infraestrutura da região costeira da África poderá enfrentar o risco de inundar por causa da elevação do nível do mar.

A África do Sul, levando a aspiração da África e do mundo em desenvolvimento, espera ter êxito em manter o Protocolo de Kyoto como parte de um futuro regime climático, conforme é discutido um resultado das negociações no âmbito da Convenção. “O resultado da COP17/CMP7 deve garantir que todos os países reconheçam que os efeitos da mudança climática no planeta, o seu povo e as economias não sejam ignorados e que todos nós temos a responsabilidade de salvar, hoje, o amanhã”, finaliza a ministra.

Fonte: http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=182584