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terça-feira, 2 de junho de 2015

Lançamento do Livro: A construção da climatologia geográfica no Brasil. na UNICAMP

No dia 2 de junho, na UNICAMP, ocorreu a segunda sessão de lançamento do livro: A construção da climatologia geográfica no Brasil. E assim como  no auditório da USP, a platéia estava repleta de graduando do curso de Geografia da UNICAMP. O lançamento ocorreu no auditório do DGA, na praça das Bandeiras, no campus. Desta vez, na mesa, além dos  autores Carlos Augusto, Francisco Mendonça e João Lima, estava na coordenação da mesa, o professor Fabrício Gallo (AGB-Campinas) e o comentarista era o professor Archimedes (UNICAMP).
Curtam as fotos, vocês gostaram.

Att.
Bioclima

























segunda-feira, 1 de junho de 2015

Um lançamento, uma homenagem...Viva a Climatologia!!!!

Neste final de tarde do primeiro dia  de junho, no auditório da Geografia da USP, ocorreu a primeira sessão de lançamento do livro organizado por Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, João Lima Santana Netto, João Affonso Zavatini e o Professor Francisco Mendonça, intitulado A construção da climatologia geográfica no Brasil. 

A sessão de lançamento foi organizada pelos Programas de Pós-graduação em Geografia Física e Humana, o Laboratório de Climatologia e Biogeografia, o Laboratório Geografia Política e Planejamento Territorial e Ambiental.

Na mesa estavam presentes, conforme pode ser visualizado na imagem a seguir, a professora Maria Mônica Arroyo (USP), o professor José Bueno Conti (USP), o professor Edson Soares Fialho (presidente da Abclima-UFV), professor Emerson Galvani (USP), professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro (USP) e João Lima Santana Neto (Unesp-Presidente Prudente). Com a abertura dos trabalhos iniciais, ainda faltavam os Professore Francisco Mendonça (UFPR), que chegou atrasado em função do atraso do vôo, mas infelizmente, registramos a ausência do professor João Zavatini.

O desenrolar da atividade foi cercada de grande alegria e muitos momentos de emoção, principalmente nas falas do Professor Carlos Augusto, que provocou momentos de descontração da platéia, mas de agradecimento, com pode ser visto nos olhos do professor João Lima, quando dos comentários de sua graduação, quando foi aluno do professor Carlos Augusto.  Mas, no final, nào menos importante, a fala da professora Maria Adélia foi tocante, forte e emocionante, chegando a tirar lágrimas do professor Carlos Augusto, que muito emocionado apenas agradeceu a professora com um abraço fraterno.

Bem falamos por demais, curta agora as fotos a seguir obtidas na sessão de lançamento na USP. amanhã estaremos na Unicamp para um segundo lançamento. Até aqui a pouco. 


Mesa da sessão de lançamento da obra A construção da climatologia geográfica no Brasil.

Professor Emerson Galvani, Professor Carlos Augusto e o Professor João Lima

Fala do Professor Emerson Galvani - (USP) sobre a obra
Teoria e Clima urbano defendida em 1975 e publicada em 1976

Professor José Bueno Conti - comentando a obra lançada sobre o trabalho do
 Professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro

Professora Maria Mônica Aroyo (USP), Professor José Bueno Conti (USP) e o
Professor Edson Soares Fialho(ABCLIMA/UFV) 

Professor João Lima-Unesp-Presidente Prudente

Professor João Lima falando sobre o livro ao lado do Professor Carlos Augusto

Professor Francisco Mendonça-UFPR um dos autores da obra.

Professor Carlos Augusto em sua fala ao lado do Professor João Lima

Professor Emerson Galvani - USP - Coordenador da mesa de homenagem

Sessão de autógrafos no auditório da Geografia da USP - 01 de junho de 2015

Professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro e a Professora Maria Adélia de Souza

Professor Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro e a Professora Maria Adélia de Souza

domingo, 31 de maio de 2015

Lançamento do Livro " A construção da Climatologia Geográfica no Brasil".

Bom dia, Galera do Bioclima.
Hoje postamos esta mensagem para lembrar do lançamento do livro: A construção da climatologia geográfica no Brasil. Hoje, na USP haverá o primeiro lançamento e no dia 2 de junho na Unicamp. Quem puder vá. Veja o convite a seguir.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ufal assina acordo internacional para estudos na área de Geociências Ambientais

A Universidade Federal de Alagoas está entre as 22 instituições brasileiras e estrangeiras que firmaram acordo científico para o desenvolvimento de estudos científicos do Centro Internacional de Investigação Climática e Aplicações (CIICLAA) para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e África. Na assinatura do acordo, realizada no início deste mês, a Universidade Federal de Alagoas foi representada pelo professor do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), Ricardo Tenório Sarmento, que passou a integrar a vice-presidência do Conselho Geral do CIICLAA.

A solenidade foi realizada no Salão de Banquetes da Assembleia Nacional de Cabo Verde, na cidade da Praia e foi presidida pelo primeiro ministro José Maria Neves. Também participaram da cerimônia, o ministro do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território, Antero Veiga; a diretora-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Georgina de Mello; a reitora da Universidade de Cabo Verde, Judite do Nascimento, entre outras autoridades.

As ações científicas na área das ciências atmosféricas promovidas pela Ufal têm projetado a instituição no cenário nacional e internacional, a exemplo do Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas (Sirmal). Além de Ricardo Sarmento, o professor e o pesquisador Humberto Barbosa, também da Ufal, compõe o CIICLAA.

O Conselho Geral tem sete membros, representantes do Brasil, Portugal e do país africano Cabo Verde.O outro brasileiro com assento no Conselho é o professor Emerson Mariano da Silva, da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

O CIICLAA é sediado na Universidade de Cabo Verde, localizado na cidade da Praia e o polo naquele país se instalará no Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG). A engenheira Ester Brito, do Conselho de Administração do Instituto Nacional Meteorologia e Geofísica (INMG), de Cabo Verde, está na presidência do Centro

Ricardo Sarmento destaca a atuação científica das instituições a partir da assinatura do acordo constitutivo e da escritura pública do Centro Internacional. “O objetivo do Centro é o de fomentar a investigação aplicada nas áreas das Geociências Ambientais, nos países da CPLP e de África, em particular as que relacionem o clima, sua variabilidade, alterações e medidas de mitigação ou adaptação com os recursos hídricos e marinhos, ambiente, agricultura e desastres naturais, dentre outras”, frisou o professor.

Ricardo informa que os projetos serão desenvolvidos em cada um dos países beneficiários sob a coordenação do CIICLAA, por meio da presidente do Conselho Geral e do diretor-executivo. “O regulamento de projetos estipula a tipologia e o mecanismo de submissão. Em termos práticos, em Cabo Verde funcionará uma estrutura de coordenação semelhante a qualquer Agência de Execução, seguindo as normas estabelecidas internamente pelo CIICLAA”, enfatizou.

Ele adiantou que em maio de 2016 já está definida a realização do Fórum Clima/Mudanças Climáticas e Impactos na Economia na CPLPE em África, que será realizado na Universidade de Cabo Verde.

Membro fundador

O acordo assinado conta com participação de instituições brasileiras, africanas e portuguesas, constituindo-se com o título denominado de Membro Fundador. Do Brasil, além da Ufal, participam do CIICLAA as seguintes instituições: Universidade Estadual do Ceará (UECE); Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme); Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab); e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

De Cabo Verde participam do Centro Internacional o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG); Universidade de Cabo Verde (UNICV); Direção Nacional do Ambiente (DNA); Universidade Lusófona de Cabo Verde; Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (Inida); Agência Nacional de Água e Saneamento (Anas). De Guiné-Bissau, o Instituto Nacional de Meteorologia da Guiné-Bissau (INM-GB); de Moçambique, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inam). O Instituto Nacional de Meteorologia de São Tomé e Príncipe (INM- STP) também participará das ações científicas.

As instituições portuguesas que assinaram o acordo como participantes das ações do CIICLAA são as seguintes: Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA); Instituto Politécnico de Bragança (IPB); Universidade de Aveiro; Universidade de Évora; Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia; Instituto Politécnico de Tomar; Faculdade de Ciências, por meio do Instituto Dom Luís; e Instituto Politécnico de Beja.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Marco da Biodiversidade

Nova lei visa facilitar pesquisas e uso comercial de plantas e animais. Projeto foi apresentado em 2014 e aprovado no Congresso este ano.

O Marco da Biodiversidade reforça as regras criadas pela Medida Provisória 2.186-16, de 2001, que incorpora os compromissos assumidos pelo governo perante a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), tratado internacional das Nações Unidas que regula o tema.

Apresentado pelo Executivo em 2014, o projeto de lei foi aprovado pela primeira vez na Câmara em fevereiro. Encaminhado ao Senado, recebeu 23 emendas que alteraram o texto. Por isso, teve que voltar a ser analisado pelos deputados. O documento foi aprovado em 27 de abril e encaminhado para sanção da presidente Dilma Rousseff.

O objetivo do projeto de lei da biodiversidade é reduzir a burocracia e estimular a pesquisa e inovação com espécies nativas. No entanto, alguns ambientalistas dizem que o projeto privilegia as empresas e amplia o acesso à biodiversidade sem proteger os povos indígenas e seus conhecimentos tradicionais.

No projeto de lei, patrimônio genético é definido como “informação de origem genética de espécies vegetais, animais, microbianas, ou espécies de outra natureza, incluindo substâncias oriundas do metabolismo destes seres vivos”.

Entre os principais pontos aprovados, estão a retirada de penalidades impostas a empresas que descumpriram regras ligadas à exploração de materiais provenientes de plantas ou animais e a criação de normas de pagamento pelo uso de recursos genéticos naturais por empresas -- tanto para o governo, quanto para povos tradicionais, como os indígenas.

Veja os principais pontos da lei 7.735/2014, sancionada pela Dilma:
Selo 1 (Foto: G1)
Modifica a forma de solicitar autorização para explorar a biodiversidade. Antes, as empresas tinham que submeter uma documentação ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) e aguardar a aprovação para iniciar os trabalhos. Agora, organizações nacionais podem fazer um cadastro simplificado pela internet.
Selo 2 (Foto: G1)
Se um produto foi criado a partir de material existente na biodiversidade brasileira, a empresa terá que repassar de 0,1% a 1% da receita líquida anual obtida com a exploração econômica. O dinheiro será destinado ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios.
Selo3 (Foto: G1)


Segundo o projeto de lei, índios e povos tradicionais, como quilombolas e ribeirinhos, terão direito a participar da tomada de decisões sobre assuntos relacionados à conservação e ao uso sustentável de seus conhecimentos tradicionais.

Além disso, a exploração econômica de seus conhecimentos deverá ser feita com consentimento prévio por meio de assinatura por escrito, registro audiovisual, parecer de órgão oficial competente ou adesão na forma prevista em protocolo comunitário.
selo4 (Foto: G1)
Os benefícios obtidos da exploração do conhecimento tradicional podem ser pagos em dinheiro ou em ações “não monetárias”, como investimentos em projetos de conservação, transferência de tecnologias, capacitação de recursos humanos ou uso sustentável da biodiversidade.

Segundo ambientalistas, a alternativa "não monetária" pode prejudicar arrecadação de investimentos.Selo5 (Foto: G1)
Microempresas, empresas de pequeno porte, microempreendedores individuais e cooperativas agrícolas estão isentos do pagamento pela exploração econômica do patrimônio genético de espécies encontradas no Brasil.
selo6 (Foto: G1)
Em relação às multas e condenações que foram aplicadas em razão de biopirataria, seguindo a lei anterior, todas as sanções ficam anistiadas a partir da assinatura da Medida Provisória e cumprimento do termo compromisso com a União.
Selo Repartição de benefícios (Foto: G1)
Povos indígenas e comunidades tradicionais somente receberão a repartição de benefício quando o seu conhecimento for considerado elemento principal de agregação de valor ao produto.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Entrevista com a Professora Ercília Steinke da Universidade de Brasília

Entrevista com a Professora Ercília Steinke da Universidade de Brasília,

1. Bioclima: Profa. Ercília, o nosso blog tem muitas acesso de alunos do ensino médio e fundamental. Então a primeira pergunta vem dentro do contexto da variação sazonal. A cidade de Brasília. Qual é o seu comportamento sazonal, quanto à pluviosidade e a temperatura e sua relação com a incidência de doenças do aparelho respiratório?


A cidade de Brasília, assim como todo o Distrito Federal, apresenta as características climáticas do Centro-Oeste, ou seja, verão chuvoso e inverno seco. A estação chuvosa se inicia em outubro e vai até meados de abril, e a estação seca se prolonga de maio a setembro, sendo setembro o mês mais quente e seco. O nosso clima é classificado como Tropical do Brasil Central com 4 a 5 meses secos. A temperatura média anual é de cerca de 21 C, podendo ultrapassar os 32°C em setembro, e chegar a 12°C nas madrugadas de inverno, em julho. Ressalto, porém, que durante o dia, na seca, em função da elevada incidência solar, as temperaturas se mantêm elevadas. A umidade relativa do ar varia muito durante o ano, podendo chegar aos 20% ou, muitas vezes, menos durante o inverno. 
A estação seca é especialmente ruim para a população, pois, nesse período, sem chuvas, e com a umidade relativa do ar atingindo valores muito baixos, às vezes chegando a 10%, a incidência de casos de doenças ligadas ao aparelho respiratório aumenta muito. É muito comum verificarmos os hospitais cheios de crianças e idosos, que são os mais atingidos, com asma, bronquite, enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas. Recentemente, um aluno ligado ao LCGea, Elton Keliton, fez uma pesquisa sobre o assunto e a sua investigação mostrou que existe uma sazonalidade dos casos de internação por doenças respiratórias no DF, evidenciando que as patologias desse grupo tem, predominantemente, relação inversa com a precipitação pluviométrica, temperaturas máxima, média e mínima e umidade relativa do ar, e relação direta com a pressão atmosférica, ou seja, quando o DF está sob o domínio de sistemas atmosféricos de alta pressão, os casos de internação eram maiores.

2.  Bioclima: Em relação aos problemas ambientais urbanos. Brasília superou os problemas dos eventos pluviais intensos, comportamento característico das chuvas nos períodos de verão e primavera.

Infelizmente no DF verificam-se inúmeros problemas relacionados a eventos pluviais extremos, pois regiões urbanas, cada dia mais abarrotadas de cimento e asfalto, não são preparadas para receberem a chuva, muito menos um volume de chuva elevado. Podemos observar muitas ruas sem bocas de lobo para o escoamento da água da chuva, e as que existem são muito pequenas para aguentar a vazão da água. Na própria área central de Brasília, no Plano Piloto, todos os anos, temos problemas com os viadutos, que aqui chamamos de tesourinhas, que a cada ano que passa, alagam mais ainda. Esse problema tem se intensificado porque essas tesourinhas estão localizadas em uma área mais rebaixada do terreno. Antigamente, a parte mais elevada do Plano Piloto era constituída de vegetação e era uma área onde a água da chuva caía e infiltrava no solo. Hoje, nessas áreas mais elevadas, foram construídos estacionamentos e edifícios, impermeabilizando a área. Ou seja, agora, toda a água da chuva que cai lá, não infiltra mais e escoa para as partes mais baixas – as tesourinhas. Como as bocas de lobo que existem nas tesourinhas não foram construídas para receber tanta água, acabam alagando. Isso sem contar a falta de educação da população em jogar lixo na rua que vai direto para as galerias de águas pluviais. Mas essa é só uma parte do problema...

Professora Ercília Steinke - Departamento de Geografia da Universidade de Brasília,
3. Bioclima: Brasília em 2011 comemorou 20 anos como cidade Patrimônio da Humanidade com um alerta sobre o conforto e a sustentabilidade nas superquadras do Plano Piloto. Com a expansão de Brasília, que provavelmente, descaracteriza o projeto do plano piloto, a questão do conforto térmico piorou? Explicite.

Essa questão é muito delicada para nós, pois perpassa por uma questão social. As áreas nobres do DF, como o Plano Piloto, onde estão as superquadras, não pode ser alterado, pois é tombado. Sendo assim, segue o planejamento original, com muita arborização. A não ser no mês de setembro, quando o tempo fica bem seco e quente, o conforto térmico, nessas áreas, não chega a ser um problema. Porém, nas áreas periféricas, onde vive a maioria da população do DF, a conversa é outra. Nessas áreas há uma intensa e desordenada urbanização. Por isso, as questões da temperatura do ar e da umidade relativa já são importantes. Já fizemos um trabalho que detectou que as áreas densamente construídas, intensamente ocupadas e com elevados índices de calor gerado pelas atividades antrópicas, apresentam-se, de maneira geral, com menores valores de umidade relativa e temperaturas mais elevadas do que aquelas áreas que contam com a presença de vegetação.


4. Bioclima: Agora falando sobre a questão do ensino de Geografia, a Professor vem desenvolvendo projetos de ensino de climatologia, no âmbito da Geografia, nos últimos anos. Nesse contexto, a professora poderia nos apresentar um cenário da atual condição do ensino de climatologia nos bancos escolares.

Bom, posso falar da realidade daqui da nossa região. Tenho pesquisado sobre o tema e conversado com professores e alunos do Ensino Básico. Infelizmente, não vejo mudanças significativas na hora de ensinar temas de Climatologia na escola. O ensino, de forma geral, continua enciclopédico. Os alunos ainda são chamados a memorizarem os tipos de clima do Brasil e os elementos do clima ainda são estudados de forma compartimentada. Vejo novas propostas sendo elaboradas, mas não colocadas em prática, elas não chegam nas escolas. A realidade, o espaço vivido pelo aluno é desconsiderado na hora de estudar Climatologia. Tenho tentado entender porque isso acontece. Compreendo que existem questões estruturais de ensino nas escolas, como carga horária, salário e etc, porém, eu tenho absoluta certeza que, ao invés de memorizar determinados tópicos, os alunos deveraim ser chamados a investigar os acontecimentos ligados ao tempo e ao clima que ocorrem perto deles. Garanto que eles iriam aprender. Por exemplo: aqui em Brasília, um pouco antes de se iniciar nosso período chuvoso, as cigarras começam a cantar (todo brasiliense sabe disso). Todo mundo sabe que quando elas começam a cantar significa que a chuva está próxima e que o período chuvoso vai começar. Isso acontece porque o período de eclosão dos casulos das cigarras só ocorre com a pressão atmosférica mais baixa e com a umidade em elevação. Tenho absoluta certeza que, se o professor levasse seus alunos para um jardim (as cigarras estão em todos os jardins), pegasse uma cigarra (os meninos acham o máximo e as meninas acham nojento) e falasse sobre isso com eles, eles nunca mais iam esquecer, pois faz parte da realidade de cada cidadão do DF. Pergunto: não seria muito mais legal do que ficar memorizando coisas?


5. Bioclima: Para finalizar. Profa. Ercília, como a Climatologia pode ser ou se transformar em um instrumento de gestão do espaço. Uma vez, que embora o conceito de cidade sustentável esteja em evidência, a especulação imobiliária também é intensa. Como a climatologia se insere nesse debate.

O meio urbano, onde a especulação imobiliária ganha destaque, apresenta três dimensões, a social (renda, educação, saúde, segurança), a ambiental (clima, aspectos físicos, nível de poluição) e a perceptiva (bem-estar e condições de vida). Porém, acredito que os gestores das cidades, apesar de afirmarem que compreendem a relação existente entre essas três dimensões, no momento de qualificar qual delas tem mais ou menos peso, sempre desconsideram os aspectos climáticos. Isso ocorre, talvez, porque o clima é algo quase abstrato, que não se enxerga. Já ouvi que o clima é a última coisa em que se deve pensar ao gerir uma cidade. Se assim for, algumas perguntas devem ser feitas: Ora, como irá haver bem-estar para a população se o calor produzido pela cidade não for amenizado por vegetação? Como a população vai conseguir ter boas condições de vida se seus carros ficam presos em alagamentos promovidos por falta de drenagem adequada depois de uma chuva intensa? E as doenças de veiculação hídrica, como evitá-las se a enchente ocorreu? Sem falar na segurança: recentemente uma menina morreu afogada dentro de um ônibus porque ele ficou preso dentro de um viaduto durante uma chuva forte. Temos segurança para andar nas ruas durante esses eventos de chuva? Essas minhas perguntas demonstram o quanto é importante considerar os aspectos climáticos na gestão do espaço. Esses aspectos, pelo menos em pouco tempo, não vão mudar. Sendo assim, o que tem que mudar é a cidade para se adaptar. O que tem que mudar é a cabeça dos gestores. A cada ano que passa novos alagamentos ocorrem novas enchentes, deslizamentos. E não adianta colocar a culpa na chuva.